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A Luna Inesperada romance Capítulo 44

PONTO DE VISTA DO RYDER

“Você parece um cadáver ambulante”, o meu pai disse com um tom debochado.

A carranca no meu rosto se aprofundou mais ainda. “Fique longe disso, pai”, eu avisei. Era típico dele, se vangloriar em um momento como aquele. Quem poderia imaginar que o rei lobisomem era um bastardo mesquinho? Ninguém além de mim.

Não dormia e nem comia há dias e tinha consciência que parecia uma merda, não precisava que ele dissesse. A última coisa em que eu pensava era comida. O único que eu queria era encontrá-la. Muita coisa ruim já tinha acontecido na minha vida, mas nenhuma tinha sido tão assustadora quanto a fuga da minha parceira. Eu me perguntava se eu nunca mais a encontrasse. O que seria de mim? Quanto tempo eu poderia realmente sobreviver sem ela?

O meu lobo estava perdendo a força. É engraçado como uma mulher pode fazer o lobo mais forte se sentir tão impotente. Muitas vezes me sentia com raiva, e imaginava várias maneiras de puni-la, fazê-la implorar por misericórdia. Porém, por fim, o medo de não vê-la nunca mais estava aumentando e superava o meu desejo de querer puni-la.

Mandei uma mensagem para todas as matilhas do país e também visitei algumas delas, mas não a encontrei. Também não tiveram sorte as equipes que enviei para vasculhar outras matilhas, os meus homens voltaram sem nenhuma novidade. Se fôssemos revistar todas as matilhas do país, levaria dias. Eu também prometi uma recompensa para quem a encontrasse. Eu só queria encontrá-la o quanto antes.

“É difícil ficar longe quando você está assim”, o meu pai comentou, com um sorriso presunçoso no rosto.

Tinha decidido trabalhar durante a noite, já que não conseguiria dormir mesmo. Durante o dia, tinha visitado o maior número de matilhas que foi possível. Não que eu fosse capaz de abaixar a cabeça para fazer qualquer coisa, mas era uma tentativa de me distrair. Adrian tinha feito muito do nosso trabalho sozinho. Porém, todo o caso relativo aos lobos ocidentais estava em pausa, pelo menos naquele momento, até que eu encontrasse a minha parceira.

"O que você está fazendo aqui, pai?", eu gritei. Por mais que eu tentasse manter o meu temperamento sob controle, ele não facilitava a minha vida.

“Olha filho, não precisamos brigar o tempo todo”, ele respondeu suavemente.

Aquele não era o seu tom de voz habitual. Por que ele estava agindo como se importasse com o sumiço dela? Ele não gostava da Tiana, ele preferia que eu me contentasse com alguma daquelas princesas burras ou uma mulher que pertencesse a realeza. Sem falar que ele gostava de me ver daquela maneira. O meu lobo não está mais tão ativo e ele podia sentir isso com certeza.

Caminhei até a janela e olhei para o lado de fora. A noite estava escura como breu, e a minha parceira podia estar em qualquer lugar. Era perigoso lá fora, especialmente a partir do momento em que ela se tornou a minha parceira. Tenho muitos inimigos e ela seria uma presa fácil para eles. E se algo de ruim acontecesse com ela? Por que eu tinha tanto azar quando se tratava de minha parceira?

“Não vai acontecer nada com ela", o meu pai disse, com aquele olhar zombeteiro ainda nos olhos.

Ótimo! Eu estava projetando os meus pensamentos através do link mental. Era algo que eu nunca fazia. Podia ser porque eu estava perdendo o controle aos poucos. Eu me tornaria um desastre completo se as coisas continuassem daquela maneira.

"E você por acaso se importa com isso?", gritei com ele de novo.

“Olha, você não precisa ser tão teimoso. Eu sei que não nos damos exatamente muito bem, mas acho que nunca tinha visto você tão acabado por causa de alguém, nem mesmo por Adeline...”, ele diminuir a voz para estudar o meu rosto, e eu não escondi a minha raiva.

“Não fale o nome daquela mulher”, eu avisei. A última vez que ele tinha mencionado ela, tinha sido no jantar na presença da minha parceira, então sumida. E ele tinha feito isso para fazê-la se sentir mal. Portanto, eu ainda não o tinha perdoado por aquele episódio.

“Não há problema em falar sobre ela, filho”, ele se levantou para se aproximar de mim. “Você acha que eu não entendo você? Somos parecidos em muitos aspectos”, ele fez uma pausa para estudar o meu rosto novamente. Dei a ele um olhar vazio.

Não que eu me importasse com a opinião dele, pois eu estaria com quem eu quisesse, quer ele aprovasse ou não. Mas as suas palavras significaram muito para mim. E querendo admitir ou não, para a Tee ser uma rainha Luna, ela precisava do meu pai para que isso acontecesse. Só ele poderia aprovar a transferência de poder e, é isso que eu queria que ela fosse, a rainha lobisomem. Eu só precisava que ela fosse mais forte. Sim, eu tinha tentado não colocar o meu coração na nossa relação depois da minha primeira experiência. Porém, quanto mais eu tentava não deixá-la entrar, mais ela se tornava parte integrante de mim.

Dei de ombros e voltei a olhar pela janela. Eu conheço o meu pai, e ele podia estar fazendo todo aquele discurso porque estava realmente preocupado. Porém a narrativa mudaria no dia seguinte de manhã, com certeza.

“Com você no caminho ou não, Susan nunca foi uma opção. Nós tínhamos um rolo, nada além disso. Está tudo acabado entre nós agora e eu não gostei de você tê-la convidado sem o meu consentimento. Principalmente porque você sabia que eu tinha encontrado a minha parceira”, eu disse.

Ele riu baixinho. "Ela vai ficar um pouco mais. Não é apenas por sua causa, mas porque eu prometi aos pais dela que cuidaria dela até o fim do mês. Portanto, se acostume a vê-la por perto", dito isso, ele saiu majestosamente.

Inferno! Às vezes tinha vontade de estrangular o meu pai. Susan não era uma criança e portanto, era perfeitamente capaz de cuidar dela mesma. Porém, por causa de qualquer acordo entre o meu pai e os pais dela, ele queria que eles acreditassem que eu sentia algo por ela. Bastardo político!

Mas, naquele momento, Susan era o menor dos meus problemas. Mais uma vez, verifiquei o meu telefone e o registro de chamadas. Além das questões de trabalho, não havia nenhuma notícia da Tiana. Uma merda.

Desliguei o computador e voltei para a minha casa. O cheiro dela tinha desaparecido completamente do quarto e eu me encolhi ao perceber isso. Eu procurei freneticamente no guarda-roupa o vestido dela e o cheirei fortemente. Logo, o agarrei contra o meu peito e xinguei.

“Eu vou encontrar você, Tee”, eu prometi para mim mesmo. “E quando eu encontrar você, não vou perder mais tempo."

Cambaleei de volta para a cama e caí de costas nela, ainda segurando o vestido dela, desesperadamente, com as minhas mãos. No dia seguinte, a busca continuaria, mas o sono não chegava. Em vez de vagar pelas ruas com raiva como tinha feito na noite anterior, passei horas imaginando que ela estava no quarto comigo. Os seus olhos inocentes e nossos amassos. Não estava sendo fácil lidar com a ausência dela, mas eu também não queria que fosse fácil.

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