Matheus pensou: que teatro exagerado.
A velha continuou com um tom choroso: — Traga o Francisco para uma reunião de família aqui em casa. O seu tio já tá quase respirando aliviado, só vai precisar de uma última ajudinha dos Couto.
Meio Outono...
Eles já estariam divorciados.
Claudia pensou um pouco, tentando não exaltar a avó.
— O meu relacionamento com o Francisco deve acabar por aqui. Nesses três anos eu já ajudei bastante a nossa família...
— Como assim? — A velha aumentou a voz de repente.
Percebendo que demonstrou muita energia, baixou o tom de novo. — Vocês?
Matheus se meteu: — Não vai me dizer que você foi chutada de lá?
— Não, pera. Você não era o gênio que ia curar ele? Ficar com metade da grana não seria o mínimo?
Claudia ficou sem palavras.
Dona Ana mudou a expressão. — Claudia, você acha que se sacrificou três anos pra um deficiente pra nada? O que é seu, você tem que lutar pra ter! Você não pode ligar só pra orgulho, tem que pensar na nossa família!
— Não foi fácil para o seu tio te criar quando você era criança!
A indireta era clara: ela devia ser grata.
A velha começou a se alterar, e Claudia tentou desconversar. — Eu só comentei, não está tão ruim assim.
Antes de sair, Claudia deixou um cartão de crédito com ela.
.
Ela saiu da zona oeste, mas no fim tinha que voltar para a Mansão Aurora.
Quando ela entrou, as luzes já estavam acesas. Algumas pessoas da família Couto estavam na sala, compondo um ambiente pacífico e harmonioso.
Ela mal entrou e foi trocar de sapato quando escutou a voz de Sophia: — Cunhada? Por que demorou tanto?
— Você não fez comida o dia todo pro Francisco.
Antes, Claudia achava que os Couto a tratavam muito bem, mas só agora percebia que...
Quase o dia inteiro.


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