Tessa ficou em silêncio. Ouvir eles falando mal do Dale tinha sido satisfatório—mas agora ela estava levando a culpa também.
Derrick tinha ido dormir tarde na noite anterior. Ele estava coordenando tudo de perto com Victor, embora Victor tivesse o péssimo hábito de agir no meio da noite. O que significava que Derrick tinha que acompanhar, não importava o quanto estivesse exausto.
Bem cedo naquela manhã, o telefone dele começou a vibrar sem parar. Meio dormindo, ele achou que era Sebastian ligando.
Atendeu sem nem olhar. “O quê, o Victor está se mexendo de novo? Beleza, eu cubro ele.”
Ele estava morto de cansado. E, para ser sincero, depois de tantas investidas contra os bens do Pacto Cinzento, a adrenalina já tinha passado. Mas—
A voz que explodiu no telefone não era a do Sebastian.
“Derrick, seu filho da...”, Dan rugiu.
Isso fez Derrick acordar na hora.
Ele piscou, sentando-se direito enquanto Dan continuava gritando do outro lado. “Você é homem mesmo? Não consegue resolver uma coisa sequer? Eu tô levando surra atrás de surra por sua causa!”
“Me diz, você consegue consertar isso ou não? Vai dar um jeito, hein?”
Quanto mais Dan gritava, mais alto ele ficava. Nesse ponto, parecia que queria atravessar o telefone e estrangular Derrick.
Derrick, ainda grogue mas agora bem acordado, coçou o cabelo bagunçado. “Do que diabos você tá falando?”
“Você tá perguntando pra mim isso?” Dan retrucou. “Faz quanto tempo que eu tô levando a culpa por você? Vai limpar meu nome algum dia ou não?”
Derrick suspirou. “Ah...”
“Como é que você explicou as coisas pra aquela maluca da Marie?” Dan disparou.
Naquele momento, ele queria mesmo saber. Como Derrick tinha explicado? Por que Marie sempre vinha atrás de mim depois?
Ele já estava achando que Derrick fazia confusão de propósito—ou era preguiçoso demais pra resolver.
Então, toda vez que Marie explodia, Dan era quem pagava o preço.
O cérebro de Derrick ainda estava nublado, mas conforme Dan continuava a bronca, tudo começou a fazer sentido.
“Peraí—Marie te bateu de novo?” ele perguntou.
Enquanto falava, saiu da cama e foi direto pro quarto da Marie. Os lençóis estavam jogados, a cama vazia. Ele tocou as cobertas—frias. Ela já tinha saído fazia tempo.
Quando Dan ouviu a pergunta, quase perdeu o controle. “Seu ingrato!”
O peito de Dan queimava de raiva. Ele estava realmente a ponto de desmaiar de tão furioso.
Como ele foi parar lidando com alguém tão sem vergonha? Era revoltante—insuportável. Ele queria estrangular Derrick com as próprias mãos.
Marie, aquela que sempre partia pra agressão.
Dan, ouvindo isso, quase gritou. “Tá de brincadeira? Ela me arrebentou, e você quer saber como ela tá?”
Já descendo as escadas, Derrick ligou pra Sebastian. “Acha a Marie. Agora.”
Sebastian foi rápido—e poucos minutos depois, voltou com a resposta. “Ela tá no hospital.”
Isso fez o coração de Derrick apertar.
No caminho, Sebastian olhou Derrick de cima a baixo e suspirou. “Você tá com tanta pressa que nem trocou de roupa? Ainda tá de robe, cara. Que imagem é essa?”
“Minha esposa e meu filho saíram pra brigar; que se dane minha imagem!” Derrick rebateu.
Sebastian ficou quieto. Bem... ele não tava errado.
Mesmo assim—a Marie tinha um temperamento daqueles.
“Ela mandou o Dan pro hospital de novo?” Sebastian perguntou, balançando a cabeça.
Aquela mulher não ligava pra onde estava ou com quem lidava. Mesmo ali em Redwood—território do Pacto Cinzento—ela não tinha medo de nada.
Tudo bem que o Pacto Cinzento tava um caos ultimamente, mas ainda era um lugar perigoso.
E a Marie... bem, ela se jogou direto no ninho de vespas.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A garota errada e a garota injustiçada
Que pena um dos site que ainda a poderia nos fornecer leituras sem pagamento e complicação infelizmente não é mais...