— Ela não se aproximou da Marie de propósito?
Abraham respondeu:
— Se tivesse sido intencional, você realmente acha que ele teria fingido a própria morte e sumido de Falvaria?
Derrick ficou em silêncio.
Faz sentido. Ainda não conseguia entender a atitude estranha de Dan.
Normalmente, o pessoal da família Morris só pensava em lucro; era o jeito deles.
Se Dan tivesse mesmo agido por interesse, quando se aproximou da Marie, teria garantido laços com toda a família Dawson — talvez até com a família Luke.
Mas, ao invés disso, fingiu a morte e desapareceu.
Isso dizia muita coisa. Significava que, embora a viagem dele a Falvaria pudesse ter um propósito, o envolvimento com Marie foi um acidente; ele nem sabia quem ela realmente era.
— E daí? — perguntou Derrick. — Agora ele quer usar o poder da família Moses pra manter o Pacto Cinzento vivo?
Abraham soltou um resmungo:
— O único no Pacto Cinzento que já se importou com amor foi o Dale. O resto... heh...
Aquele riso curto e frio era puro deboche.
E Abraham não estava errado. De todas as gerações do Pacto Cinzento, Dale foi o único com algum senso de devoção. O resto da liderança sempre foi movido por uma coisa só: lucro.
Mesmo que Dan tenha passado publicamente o cargo de líder para Manny há pouco tempo, essa ligação repentina com a família Moses era... no mínimo suspeita.
Derrick deu uma risada baixa:
— Acho que a Marie não tinha o melhor gosto, né? O que será que ela viu nele?
— Fique atento — disse Abraham, sem emoção.
Ele estava prestes a desligar quando Derrick o interrompeu:
— Espera!
— O quê? Tá com medo agora?
— Medo? — Derrick zombou. — De quê?
Medo do Dan? Do Pacto Cinzento? Ele soltou uma gargalhada afiada.
— O Pacto Cinzento e o Dan? Você acha que eu sou tão mole assim?
— Não subestime eles — alertou Abraham. — O Pacto Cinzento existe faz tempo.
Derrick arqueou a sobrancelha:
— Desde quando você ficou tão cauteloso? Não é do seu feitio.
O velho Abraham nunca diria algo assim. Antes, não importava quem estivesse no caminho — ele esmagava sem pensar duas vezes. Agora estava dizendo coisas como não subestime o inimigo?
Palavras assim nunca tinham saído da boca de Abraham.
O que mudou? Derrick pensou. Será que ele ficou vulnerável?
Porque quando um homem tem um ponto fraco...
Mas, pensando bem, Stella sempre foi o ponto fraco dele. Ou talvez agora ele tivesse mais de um — já que Stella estava grávida de trigêmeos.
Talvez a paternidade o tivesse deixado mais cuidadoso.
Ouvindo Derrick reclamar no telefone, sua mente ficou presa nas palavras psiquiatria e gastroenterologia.
Enquanto isso, Derrick continuava:
— Liga pra ela, vai? Diz que se não tá bem, tem que ir ao médico. Fala pra ela colaborar.
Ele já não sabia mais o que fazer com ela.
Nos últimos dias, toda vez que ele mencionava médico, Marie já explodia; uma palavra a mais e ela surtava. Hoje, finalmente conseguiu levar ela ao hospital, pensando — finalmente — que iam descobrir o que era.
Mas não.
Ela fugiu de novo.
Nunca conheceu alguém tão apavorada de médico na vida.
Abraham finalmente falou:
— Ela tá... vomitando?
— Sim! — disse Derrick.
— E você levou ela na psiquiatria — e no gastro?
— É — disse Derrick. — Não marquei consulta na psiquiatria antes; só chamei um psicólogo direto. Só que ele trouxe a pessoa errada.
Abraham ficou quieto de novo. Vômito... psiquiatria... gastro?
Derrick acrescentou:
— Ei, você sabia do psicólogo antes, né?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A garota errada e a garota injustiçada
Que pena um dos site que ainda a poderia nos fornecer leituras sem pagamento e complicação infelizmente não é mais...