Um longo cortejo de carros deixou o aeroporto, avançando devagar.
O mordomo entregou a Stella um pequeno recipiente térmico, com um sorriso afetuoso. “Senhorita, a senhora Evelyn soube que, ultimamente, a senhorita anda sem apetite. Imaginou que talvez também não tivesse comido bem no avião, então mandou preparar isto para a senhorita.”
Ao ouvir a menção à mãe, a garganta de Stella se apertou de emoção. “A minha mãe está em casa?”
O mordomo balançou a cabeça. “A senhora Evelyn saiu bem cedo hoje. Só volta à noite. Pediu que eu lhe dissesse para a senhorita esperá-la em casa e não sair por aí.”
Aquele “não sair por aí” puxou Stella de volta, direto para a infância.
Todo fim de semana, antes de sair, a mãe dizia a mesma coisa: “Comporte-se e fique em casa. Uns amigos vão vir brincar. Não vá sair por aí…”
As famílias Luke e Dawson ocupavam uma posição especial em Falvaria — tanto às claras quanto nos bastidores, tinham muitos rivais.
Mesmo que o sobrenome Dawson metesse medo em muita gente, ainda assim preferiam evitar riscos desnecessários.
Por isso, quando Stella era pequena, mesmo depois de fazer amigos, não tinha permissão para sair e brincar com eles. Em vez disso, eram os amigos que tinham de ir visitá-la em casa.
Abraham pegou o recipiente térmico e levantou a tampa. O vapor perfumado que escapou trouxe um aroma que Stella conhecia bem.
Cada dia que ela passara longe nos últimos anos parecera interminável.
Sentia uma falta terrível de Falvaria — de tudo. Mas, acima de tudo, sentia falta da família.
Então ela se enterrou no trabalho, dia após dia.
Talvez fosse o único jeito de tornar a saudade um pouco mais suportável...
Mas agora ela tinha voltado. E bastou um sopro daquele caldo familiar para que aqueles anos infinitos parecessem ter passado num piscar de olhos.
“Quer um pouco?”, Abraham perguntou baixinho.
Stella assentiu. “Quero.”
Embora o paladar dela tivesse mudado bastante ultimamente, ainda assim queria tomar.
Ela se lembrava daquela sopa — era a especialidade da mãe.
Evelyn amava cozinhar. Por mais ocupada que estivesse, fazia questão de preparar as refeições dos filhos com as próprias mãos. Quando Stella era pequena e frágil, foi Evelyn quem praticamente a trouxe de volta à saúde, colherada por colherada.
No começo, ela não sabia grande coisa sobre sopas. Mas, ao pensar que Stella herdara a constituição fraca do pai, acabou aprendendo.
Stella aconchegou o recipiente térmico nos braços e deu um gole. “Humm… está uma delícia. Exatamente como eu lembrava.”
“A madame disse que era a sua preferida”, contou o mordomo, com suavidade. “Por isso, levantou ainda mais cedo para fazê-la antes de sair.”
Ao ouvir isso, a garganta de Stella apertou ainda mais. Agora doía — e o nariz também. Ela não conseguiu dizer uma única palavra.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A garota errada e a garota injustiçada
Que pena um dos site que ainda a poderia nos fornecer leituras sem pagamento e complicação infelizmente não é mais...