Impossível.
Yunice instintivamente deu um passo para trás, colocando distância entre ela e Lily, com os olhos claros e inabaláveis.
“Não vou me esquecer do que aconteceu. A menos que você consiga fazer com que Elsie devolva minha identidade para mim, só então poderei realmente chamá-los de família.”
O choque no rosto de Lily foi a única resposta que Yunice precisava. Ela soltou uma risada fraca e zombeteira. “Você não precisa mais desperdiçar seus esforços para me consolar. Eu não vou culpar você.”
E nunca mais esperarei nada de você.
Talvez percebendo que estava errada, Lily abriu a boca, mas não conseguiu pronunciar uma palavra.
Mas, por mais culpada que se sentisse, ela não podia pedir a Elsie que devolvesse a identidade a Yunice. Elsie já havia garantido seu lugar na família Saunders usando aquele nome há muito tempo. Se ela o devolvesse agora, todos os seus anos de esforço não seriam em vão?
“Yunny, você sabe o quanto suas palavras cortam meu coração como uma faca?” A voz de Lily tremeu, dilacerada e angustiada. “Você acha que estou tentando confortá-lo com palavras vazias? Quero ficar perto de você. Somos mãe e filha, não inimigas. Você está realmente disposta a cortar os laços comigo para sempre por causa de um mero papel de registro doméstico?”
“Você e Elsie são minhas filhas preciosas. Se eu pudesse escolher apenas uma, o que você gostaria que eu fizesse?” Lily enxugou as lágrimas, com a voz embargada pela emoção. “Elsie pode ter adotado o nome de vocês, mas um dia ela se casará. Tudo na família Saunders ainda será seu. Seus dois irmãos vão cuidar de você; você poderá dormir até tarde quando quiser, sem precisar servir aos sogros, sem precisar cuidar de um marido ou criar filhos. O que mais você poderia querer?”
Lily estava mais abalada do que Yunice. Ela simplesmente não conseguia compreender o que a levava a resistir daquela forma.
Por que não conseguimos viver em paz como uma família?
Yunice observava a mãe entre lágrimas e lamentos, mas manteve o rosto impassível. Nem mesmo lhe estendeu um lenço de papel.
Paz, paz... Era sempre isso que ela dizia. Nunca mencionava justiça.
Em um lar onde o desequilíbrio já reinava, onde uma pessoa suportava todos os prejuízos enquanto outra desfrutava das vantagens, jamais poderia haver paz verdadeira. E no instante em que Yunice recusou-se a continuar suportando perdas, tornou-se a culpada por romper aquela frágil aparência de tranquilidade.
Lily, cansada de tanto chorar, voltou a atacar: “A culpa é sua por não conseguir segurar um homem. A família Powell não te quis. Não é como se a Elsie tivesse tirado algo de você. Por que esse mau humor, esse silêncio o dia inteiro?”
Apenas uma mãe de verdade seria capaz de dizer algo tão cruel, acertando em cheio com cada palavra.
Era como se suas reclamações só tivessem valor se servissem para afundar ainda mais Yunice.
Ela apenas soltou um suspiro. Ao que tudo indicava, esse tipo de cena era o que Lily mais sabia interpretar.
A mãe esperava que a filha perdesse o controle. Que gritasse, chorasse, reagisse de alguma forma. Mas nada disso aconteceu. Isso só aumentou sua inquietação, como uma vilã pequena e teimosa à procura de um adversário inexistente. Ela se remexeu no assento, tomada por uma frustração.
“Sra. Lily, alguém da família Powell está aqui novamente!” Giana entrou na sala praticamente saltitando, com passos leves como os de um pássaro trazendo boas novas.


Não é necessário?
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