O pedido de Wendy ecoou na mente de Yunice muito depois que ela se afastou.
"Ele está na sala executiva. Toda tarde, ele está lá. Pelo menos vá ver com seus próprios olhos."
Ela não olhou para trás naquele momento, mas as palavras se infiltraram em seus pensamentos, girando como uma maldição.
Dor. Culpa.
Será que Oscar realmente viveu todos esses anos com essas correntes em volta do pescoço?
Por fim, os laços de sangue e as perguntas enterradas puxaram seus passos até o último andar. Ela repetia para si mesma que era só para confirmar a história de Wendy, apenas um olhar—depois iria embora para sempre.
...
A sala estava silenciosa, quase vazia. Seus olhos o encontraram imediatamente.
Oscar.
Ele estava sentado perto da janela, camisa branca, mangas arregaçadas, um laptop e café à sua frente. Mas o olhar dele não estava na tela. Vagueava lá fora, em direção ao mar sem fim, seu perfil cansado e desgastado, bem diferente do homem elegante que ela tinha visto no avião.
Ele deve ter sentido o olhar dela. Virou a cabeça devagar.
No instante em que seus olhares se cruzaram, Oscar congelou. A cor sumiu de seu rosto, as pupilas se apertaram como se tivesse visto um fantasma.
Ele se endireitou de repente, derrubando o café. O líquido escuro se espalhou rápido pelo tecido da toalha de mesa.
"Senhorita... Senhorita Saunders." A língua tropeçou no nome antigo que costumava chamá-la. Ele se corrigiu, forçando um tom formal. O som saiu rouco, áspero.
Aquele pânico sem defesa atingiu Yunice mais forte do que ela esperava.
Talvez Wendy não tivesse mentido.
Um atendente correu para limpar a bagunça.
Oscar respirou fundo, tentando se recompor, mas o choque persistia na maneira como ele torcia os dedos. "Por que você está aqui? Foi a Wendy—"

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