Wyatt não soltou nem mesmo um grunhido. Ele apoiou as mãos no chão ao seu lado, teimoso e silencioso, recusando-se a recuar ou pedir misericórdia.
Os olhos de Jackson ardiam de raiva. Ele não iria parar.
No momento em que o segundo golpe atingiu Wyatt, Yunice reagiu.
Se ninguém intervir, ele pode não morrer, mas ficará gravemente ferido.
Mas antes que Yunice pudesse se levantar, alguém colocou a mão em seu pulso.
Ela virou a cabeça para trás em choque, era Owen.
Ele permaneceu sentado, frio como sempre, ainda segurando o pulso dela, com as sobrancelhas franzidas, balançando sutilmente a cabeça.
Ele sabia que Yunice tinha um coração muito mole para isso, que a visão de sangue lhe dava voltas no estômago e que ela queria defendê-lo.
Mas esse era o show da família Powell. Ela não deveria interferir.
Não importava o quanto fosse difícil assistir, ela tinha que se conter. Não podia correr o risco de envergonhar a família Saunders.
Yunice hesitou, dividida entre ficar quieta ou romper com Owen naquele momento e correr para ajudar Wyatt.
Mas o que ela poderia realmente fazer? Ela não poderia tirá-lo dessa situação, e não poderia limpar a bagunça depois disso.
Bastou uma hesitação para que o terceiro golpe caísse com força sobre Wyatt.
Ele cambaleou para a frente, mas logo recuperou a postura.
Seus olhos se fixaram nos de Jackson, gélidos e sinuosos como uma víbora. Com as costas da mão, limpou a boca.
Havia algo naquele olhar que o fez vacilar por um instante. Ainda assim, ele era o pai de Wyatt. O que mais podia fazer? Permitir que o garoto o dominasse?
Você precisa continuar. Continue acertando. Bata até que ele ceda. Até que suplique.
Linda apertava o lenço com tanta força que seus nós dos dedos haviam empalidecido. A cada golpe, ela observava com um horror mal disfarçado.
Ela estava apavorada. Mas não só por causa de Wyatt.
Os interesses da família Powell estavam intimamente entrelaçados com o Grupo Wellinges, a corporação comandada por Wyatt. Se algo acontecesse com ele ali, toda a família sofreria as consequências.
Ainda assim, Jackson já havia ultrapassado os limites, tomado pela fúria. Enquanto Wyatt não recuasse, ninguém ousava intervir.
Foi então que o telefone de Linda tocou. Ela atendeu em silêncio, escutou por alguns segundos e, com as mãos trêmulas, estendeu o aparelho a Jackson.
“Sr. Jackson”, murmurou ela. “É o Jensen. Ele... ele está pedindo que o senhor pare.”
Ele lançou um olhar desconfiado para ela antes de pegar o telefone e levá-lo ao ouvido.
Jensen falou poucas palavras, e a expressão do homem se transformou. Ele olhou diretamente para Wyatt e levantou a mão. “Pare. Já chega.”
Imediatamente, todos se voltaram para ele, com destaque para Paul.

É isso. Finalmente fiz o que era certo. Finalmente me levantei e disse não.
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