Yunice apoiou o queixo na mão e, com um movimento pequeno e discreto, colocou um fone de ouvido, deixando o cabelo cair por cima para esconder.
Ela tinha grampeado Owen antes de saírem. Então, mesmo que ele tivesse entrado sozinho na Mansão, ela não perderia uma palavra do que acontecesse lá dentro.
Owen nem bateu. Entrou como um furacão no quarto de Paul e, sem dizer nada, acertou um soco direto no queixo dele.
Pegando Paul completamente de surpresa, ele caiu pra trás no sofá.
Ele pulou furioso, e agarrou Owen. “Que merda é essa, cara?”, gritou, limpando o sangue do canto da boca. “Porr* estou sangrando!”
Owen nem se mexeu. “Isso foi só o começo.” Acertou outro soco, dessa vez no outro lado do rosto. “Você encostou na Elsie? Te encher de porrada ainda é pouco.”
Paul caiu de novo no sofá, gemendo. “Porr*!”, ele cuspiu, mas dessa vez não revidou. “Você está maluco? Qual o seu problema?”, gritou. “Tô namorando a Elsie. Agora não posso nem encostar nela?”
A voz de Owen baixou, mas ficou ainda mais perigosa. “Você sabe exatamente o que eu quero dizer.”
Paul congelou. No começo, não tinha pensado muito no assunto, mas agora, com aquele olhar que seu cunhado lançava, algo mudou em sua expressão. Um lampejo de culpa.
Owen viu. Avançou, agarrou Paul pela gola e o puxou pra perto. “O que foi que você me prometeu? Hein? O que você jurou pra mim?”
O rosto de Paul escureceu. E ele não disse uma palavra.
Mas Owen não ia deixar barato. “Você dormiu com a Yunice. E eu engoli aquilo mas te avisei. Se algum dia encostasse na Elsie, eu ia atrás de você. Você disse que ela era quem mais importava, a única que não conseguiria machucar. E agora? Você brincou com as duas.”
A mandíbula de Paul travou, e a veia no pescoço pulsava. Parecia que ia retrucar mas as palavras ficaram presas na garganta. Depois de uma longa pausa, ele murmurou: “Não foi assim. Eu e a Elsie... a gente gosta um do outro. Aconteceu. Não forcei nada.”
Owen não engoliu. Acertou mais um soco. “Mentira! Você acha que vou acreditar nisso? Você sempre foi assim. Provavelmente pressionou ela até ceder. E mesmo assim, ela te protegeu esse tempo todo. Se ela tivesse falado antes, já teria vindo aqui há muito tempo.”
Paul cuspiu sangue pro lado e o encarou. “Espera aí a Elsie te disse que eu forcei ela?”
“Poupe seu teatrinho”, Owen cortou. “Você encostou nela, agora assuma as consequências.”
Ele soltou a camisa dele e apontou pra porta. O tom era amargo, como se não ligasse pro tamanho do estrago. “Eu trouxe a Yunice comigo. Ela está lá fora agora.”

VERIFYCAPTCHA_LABEL
Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Filha Invisível