Yunice deu um sorriso frio e retorcido. Paul Powell tinha vencido essa rodada.
Eu já tinha ouvido acusações demais na minha vida. Não gastava mais energia me explicando para quem não acreditava em mim.
Erguendo a barra do vestido de noiva, se virou e foi embora, sem nem olhar para trás para ver a reação de Wyatt.
Sua mente estava estranhamente calma. Sem senso de injustiça. Sem tristeza.
Tudo o que conseguia pensar era em uma coisa, como destruir Paul.
“Yunice.”
A voz familiar a fez parar e se virar.
A hostilidade sumiu de seu rosto num instante, substituída por uma expressão suave e inofensiva.
Carl caminhava lentamente em sua direção, cada passo pesado e deliberado.
Seu ritmo dizia tudo, o homem pensara bem antes de chamá-la.
Vendo a seriedade em seu rosto, o coração de Yunice despencou rápido e forte.
Havia um brilho de súplica em seus olhos, implorando silenciosamente para que ele não dissesse nada que a envergonhasse ainda mais.
Carl franziu a testa e ficou em silêncio por alguns segundos antes de finalmente levantar a mão e tocar seu braço com uma decepção silenciosa.
“Guarde esses pensamentos ruins. Concentre-se no seu trabalho de agora em diante. Não me faça sentir que julguei você errado.”
Yunice apertou o vestido de noiva com força. As palavras dele doeram mais do que se tivesse me repreendido diretamente.
Quando passou por ela, a moça ergueu o olhar levemente e viu Victor o seguindo.
O homem lhe deu um sorriso distante e foi embora sem dizer uma palavra.
Quando todos se foram, Yunice sentiu como se sua força tivesse sido completamente drenada.
Ela arrastou o vestido pesado de volta para o quarto para se trocar.
Eu não me importava com o que Wyatt pensava de mim, porque nunca esperei amor dele.
Casar, era só uma questão de ganhar um aliado poderoso.
Mas Carl é diferente. Eu quero e preciso de validação emocional dele.
Ele me valorizava, e eu quero retribuir essa bondade com tudo de bom que há em mim.
Mas antes que eu tivesse a chance, já estava decepcionado comigo.
A culpa crescia dentro dela como um espinho enraizado em sua carne.
Eu poderia ir e explicar tudo para Carl, contar o que aconteceu hoje e provar minha inocência.
Mas eu não podia voltar no tempo. Não podia parar os boatos. Não podia calar todas as bocas fofoqueiras.
Ainda assim, eu não carregaria essa culpa para sempre. E com certeza não ia carregar esse rótulo sujo pelo resto da vida.
A razão de eu ainda não ter envenenado Paul é porque quero mantê-lo vivo para que ele seja forçado a confessar cada coisa vil que fez ao longo dos anos.
Como se nada tivesse acontecido, Yunice trocou o vestido por roupas comuns.
Ela jogou sua bolsa de lona comum no ombro e saiu do quarto.

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