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A Filha Invisível romance Capítulo 14

Jensen franziu a testa e afastou o braço da mulher ao seu lado.

Ficava claro que ele achava aquele gesto dela exagerado demais, quase constrangedor.

Todos à mesa se conheciam há mais de vinte anos. Ninguém ali era ingênuo quanto às sujeiras alheias. E ela nem sequer fazia questão de disfarçar parecia até ostentar o próprio papel de amante.

Um silêncio desconfortável se instalou. Paul puxou Elsie até os assentos, mas não se deu ao trabalho de apresentá-la.

Owen observava as mãos entrelaçadas dos dois com crescente irritação. O noivado com Yunice nem havia sido oficialmente desfeito e ele já estava tão ansioso assim?

Percebendo a mudança na expressão de Owen, Elsie tentou soltar a mão de Paul.

Mas Paul, como se quisesse provocar de propósito, apertou ainda mais os dedos dela e pousou suas mãos unidas sobre a mesa, à vista de todos.

Naturalmente, esse gesto fez com que os olhares se voltassem para Yunice.

Vários pares de olhos se fixaram nela, mas ela permaneceu sentada, serena, com o olhar abaixado, como se estivesse em outro lugar, alheia ao que se passava ao redor.

Tanto Owen quanto Lily suspiraram aliviados. Finalmente, Yunice estava agindo com bom senso. Quando não se pode segurar algo, o certo é deixar ir.

Mas o rosto de Paul mudou drasticamente.

Por que ela não reage? Por que não fez um escândalo?

Ela realmente não se importava comigo?

Yunice parecia uma figurante naquela cena. Não prestava atenção às conversas nem ao clima tenso. Era como se estivesse ali apenas para fazer uma refeição.

E, na verdade, ninguém falava com ela também.

Logo os garçons começaram a servir os pratos. Margaret não se deu ao trabalho de manter as aparências, pegou os talheres e começou a comer.

Ela se serviu e, em seguida, colocou um pouco de comida no prato de Yunice, sussurrando: “Coma, meu bem.”

Yunice não podia negar que aquilo mexeu com ela. Traída pela família e pelo noivo, já fazia muito tempo que não colocava expectativas em ninguém.

Por isso, aquele gesto de gentileza de Margaret lhe trazia um aperto no peito.

Com discrição, ela comeu os pratos leves e refrescantes, sentindo o estômago finalmente se acalmar.

Quando o último prato foi servido, um dos garçons sorriu e anunciou: “Senhoras e senhores, todos os pratos já foram servidos. Se precisarem de algo, é só chamar pelo meu número de funcionário.”

“Meu número é 1030.”

O som de pratos batendo e cadeiras arrastando-se ecoou ao mesmo tempo em que Yunice se levantou bruscamente, a voz trêmula e instintiva: “Presente!”

A reação foi tão inesperada que todos na mesa se assustaram, especialmente Lily, que levou a mão ao peito, como se fosse desmaiar.

O rosto de Jensen se contorceu de desgosto. Owen ficou vermelho de vergonha e, perdendo a paciência, levantou-se e gritou: “Mas que diabos é isso? Se não consegue se comportar, então saia!”

Despertando do próprio transe, Yunice apertou a barra da saia e olhou ao redor. Todos a encaravam com desprezo.

Sem dizer nada, ela virou as costas e foi embora.

Por que continuar ali, se tudo o que recebia era desprezo? Preferia pelo menos um pouco de paz do lado de fora.

Ironicamente, enquanto saía humilhada, ninguém tentou detê-la.

Mas então, quando achava que tudo tinha acabado, a voz de Jensen ecoou atrás dela: “Espere.”

Yunice parou e se virou.

Viu Jensen trocar um olhar com a mulher ao lado, que então tirou um envelope vermelho da bolsa.

Ela e Paul reconheceram imediatamente: era o contrato de noivado.

O olhar imponente de Jensen pousou sobre Yunice: “Você sabe por que está aqui hoje. Precisa mesmo que eu desenhe? Assine e vá embora.”

Ela se aproximou, pegou o documento e o analisou.

Paul imediatamente se enrijeceu. Se ela assinasse, o contrato seria anulado. Yunice realmente faria isso? Se quisesse romper de verdade, por que estava tão indiferente comigo? Aquilo não era só para chamar atenção?

Agora que estava prestes a me perder como último recurso, será que ainda manteria essa fachada? Talvez até implorasse para reconsiderarmos.

Não era ele quem queria o rompimento? Por que tanto alarde agora?

Ele foi meu noivo por mais de dez anos. Era impossível não sentir nada vendo esse laço oficialmente rompido.

Não sei mais em quem confiar. Me sinto como uma planta flutuando na água, sem raiz, sem rumo.

A expressão de Yunice se fechou. Nunca era boa coisa cruzar com ele.

Notando o olhar de cautela, Wyatt ergueu o braço com um sorriso irônico: “Isso aqui também foi roubado de casa?”

Ao ver a pulseira de jade no pulso dele, Yunice prendeu a respiração. Avançou na direção dele, tentando pegar de volta: “Essa pulseira é minha! Como ela foi parar com você?”

Wyatt ergueu a mão acima da cabeça. Dada a diferença de altura entre os dois, nem ficando na ponta dos pés Yunice conseguia alcançar.

Depois de dois pulos frustrados, ela ficou ofegante de dor.

Wyatt inclinou a cabeça, observando-a se debater: “É mesmo sua? Achei que fosse da casa de penhores.”

Yunice lançou um olhar fulminante: “Você investigou minha vida?”

Eu tinha penhorado a pulseira antes de encontrá-lo. Para ela estar agora no pulso dele, era certo que ele tinha ido atrás de mim depois daquele encontro.

“Mas casas de penhor têm política de confidencialidade...”

Wyatt a cortou, indiferente:

“A política se dobra diante de dinheiro. Acha mesmo que foi difícil conseguir sua pulseira?”

Yunice não tinha como rebater. Após uma breve pausa, fechou os olhos, derrotada.

Falar de regras em mercado negro só sendo muito ingênua.

Minha ideia era resgatar a pulseira dali a três meses, quando conseguisse juntar os setenta mil dólares. Agora, mesmo se eu tivesse o dinheiro, a loja ia dizer que ‘sumiu’ e me oferecer uma mixaria como compensação.

O arrependimento me invadiu. Mas logo outra dúvida se formou.

Não havia nenhuma rixa entre mim e Wyatt. Na verdade, fui eu quem salvou a vida dele naquela noite. Por mais constrangedora que tenha sido a situação, não era motivo pra ele querer se vingar.

Talvez eu tivesse julgado errado. Só porque todos o chamavam de vilão, não significava que ele fosse mesmo.

Então, com sinceridade no olhar, perguntei: “Você resgatou minha pulseira como forma de pagar a dívida por eu ter salvo sua vida?”

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