Yunice comparou com a lista de presentes que Quinton havia enviado.
Era exatamente igual.
Ela realmente teve a audácia de dizer que era dela, ainda por cima afirmando que tinha comprado com o próprio dinheiro?
Yunice se levantou furiosa. “A gente vai voltar pra mansão dos Saunders!”
Gill ainda não tinha entendido. “O que tá acontecendo?”
“A pulseira de jade foi um presente do Quinton. Se eu não pegar de volta agora, vou ficar devendo pra ele. Preciso recuperar isso!”
“Quin...” Gill piscou, e então entendeu. “Espera, a pulseira é de verdade?”
Yunice lançou um olhar de lado. E se for?
O rosto de Gill se desfigurou. “Eu falei pra alguém que era falsa... ainda apostei cem conto nisso. Achei que não tinha a menor chance da Elsie conseguir comprar uma coisa dessas. Nunca pensei que fosse do Quinton...”
Yunice deu um tapinha no ombro dela, solidária. “Fez a aposta, paga.”
Gill praticamente pegou fogo e direcionou toda sua fúria pra Elsie. “Hoje eu vou acabar de vez com essa sua pose de princesa fajuta!”
Quando Yunice voltou pra casa dos Saunders, a família estava no meio do jantar. A pulseira de jade ainda brilhava intensamente no pulso da jovem.
Sua chegada repentina pegou todos de surpresa. Elsie foi a primeira a se levantar e perguntou, preocupada: “Por que não avisou que ia voltar pra casa?”
Gill cruzou os braços ao lado de Yunice e disparou: “Se toca, né? Desde quando a Sra. Saunders precisa da sua permissão pra voltar pra casa?”
A língua afiada dela era perfeita pra lidar com falsianes assim.
Elsie ficou paralisada, o rosto tomado pela angústia, e se virou pro Owen em busca de apoio.
Tanto ele quanto Lily largaram os talheres.
Owen falou primeiro. “Na verdade eu queria te perguntar uma coisa. Foi você que pegou as cinzas do papai?”
Yunice congelou por um segundo, depois fingiu confusão. “As cinzas do papai... sumiram?”
Owen franziu a testa e já ia repreendê-la por bancar a desentendida, quando ela o atropelou na fala: “Que tipo de filho você é que nem consegue cuidar das cinzas do próprio pai? Inútil!”
Owen ficou atônito. Era a primeira vez que Yunice gritava com ele daquele jeito. Por um segundo, ele nem conseguiu reagir.
Mas ao ver a expressão furiosa dela, se lembrou da vez em que ela quase arrancou a orelha dele numa briga.
Esse trauma ainda o assombrava.
Ele sabia exatamente o quanto Yunice amava o pai. Se as cinzas realmente tivessem desaparecido, ela teria surtado de verdade.


Esse era o Owen... Todo cheio de hipocrisia. Depois que você entendia o joguinho dele e parava de cair nas provocações, ficava fácil demais lidar com ele.
Ele morria de medo de ser chamado de ingrato, então jamais teria coragem de admitir que as cinzas tinham sumido.
Agora que eu neguei ter pego, ele mudou o discurso e disse que estavam seguras, ainda tentando usar os restos do papai pra me manipular.
Owen franziu levemente a testa, embora estivesse aliviado. Eu já tinha restaurado o túmulo. Quem iria saber se as cinzas estavam mesmo lá ou não?
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