Yunice congelou no mesmo instante em que ouviu alguém se aproximar.
Wyatt estava encostado no barranco de terra. A luz da lua não chegava até ali, então estavam completamente escondidos.
A cabeça de Yunice repousava sobre o peito dele. Ela não ousava se mover — galhos secos estavam debaixo deles. Qualquer movimento, por menor que fosse, faria um estalo.
Eles não tinham outra escolha senão esperar pacientemente que a pessoa acima fosse embora.
Yunice prendeu a respiração e concentrou-se no leve balançar das folhas que vinha de cima.
Os movimentos eram sutis, nada que indicasse alguém sendo seguido.
“Pai, não conseguia dormir, então vim ver como você estava.”
A testa de Yunice se franziu levemente. Essa voz... é do Owen.
Depois de um breve silêncio, ele acrescentou: “Pai, não culpe a mamãe pela decisão dela. Ela sofreu muito nas montanhas. A cabeça dela está frágil agora. Os vivos são mais importantes do que os mortos. O senhor não ia querer ver a família Saunders se desfazendo, não é?”
Eu nunca acreditei em fantasmas ou espíritos, mas desde que aceitei reprimir o papai a pedido da Lily.
Foi por isso que vim no meio da noite. Até o segurança do portão me viu e tentou me mandar embora.
Com velas e vinho nas mãos, Owen acendeu o incenso.
“Pai, espero que o senhor não guarde rancor. Tudo o que eu fiz foi pelo bem da família Saunders.”
Yunice estava deitada sobre Wyatt, ouvindo a batida calma do coração dele, enquanto as emoções dentro dela estavam em ebulição.
O sangue fervia. Ela cerrou os punhos, quase pronta para saltar dali e encarar Owen na hora.
Ele era mesmo humano? Não guardava rancor?
Achei que ele tivesse vindo se arrepender diante do túmulo do pai, mas parecia que só queria aliviar a própria consciência.
Um incenso, uma garrafa de vinho e um lamentoso ‘pai’ eram suficientes pra ele se sentir melhor?
O vento soprou pela floresta. A chama do isqueiro tremeluzia. Na luz oscilante, a foto de Will Saunders no túmulo aparecia e desaparecia.
Owen deu um pulo. Um segundo depois, o incenso que ele acabou de acender se apagou por completo.
Ele se levantou num salto, os olhos varrendo o entorno em pânico.
“Quem tá aí? Quem tá brincando comigo?”
Ele não tinha medo de fantasmas, mas a própria culpa pesava. Quanto mais culpado se sentia, mais acreditava no sobrenatural.
Cambaleou, olhando pra todo lado. Começou a se perguntar se Lily não estava mesmo imaginando coisas.
Será que existia mesmo um fantasma?
Será que o pai estava bravo com o que ele fez? Teria assustado a mãe e agora vinha atrás dele?
Owen não tomou cuidado; seu pé afundou!
Suando frio, ele olhou pra baixo... Tinha pisado num caixão quebrado!

Às vezes eu me preocupo de verdade... Já tinha visto o Wyatt em tantas situações nada dignas... Será que um dia ele ia ficar tão constrangido que ia querer me apagar da existência?
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