Era como se todos os esqueletos no armário tivessem sido arrastados para a luz. O rosto de Owen queimava de vergonha. Não ousava se virar para encará-la. Paul também ficou quieto, afinal, toda essa ideia tinha sido de Owen.
Owen hesitou por alguns segundos, sem saber o que fazer com a irmã. Ser pego fazendo algo errado, seu primeiro instinto era descobrir como calar a outra pessoa.
Mas ela era sua irmã. Não podia ameaçá-la, e também não podia exatamente implorar para fingir que nada tinha acontecido.
Enquanto ele ficava parado, congelado, a jovem não esperou. Escalou pela janela num piscar de olhos. Moveu-se tão rápido que nem encontrou apoio e acabou caindo dentro.
Owen entrou em pânico e correu para ajudá-la, repreendendo-a com raiva: “Não doeu? Por que não esperou eu te ajudar!”
Mas ela se afastou da mão dele, encarando os dois homens como se fossem sequestradores, cautelosa e cheia de temor.
Ajudar?
Alguns minutos atrás, ela realmente esperava que eles pudessem. Mas agora, tudo que sentia era suspeita e desconfiança.
A única razão pela qual arriscou a vida para escalar de volta para dentro era porque temia que Owen pudesse empurrá-la do prédio ele mesmo, para silenciá-la e encobrir tudo que fez.
Quando o homem captou aquele olhar nos olhos dela, entendeu na hora. Franziu a testa e disse: “Por que está me olhando assim? Acha que eu te machucaria?”
Ela se forçou a ficar de pé. O saco de lixo que envolveu em si mesma durante a escalada tinha rasgado em vários lugares, mas ainda era melhor que as roupas que Owen deixou para ela.
Ela precisava sair, tinha que garantir que estava segura.
Owen a viu o ignorando, e uma onda de culpa passou por ele. Estendeu a mão para agarrá-la. “Onde pensa que vai?”
A jovem virou e o encarou com um olhar frio. “Eu já liguei para o Wyatt. Ele está vindo agora. Vai em frente, tenta me tocar.”
“Você”, o rosto dele se contorceu, mas a mão dele recuou, contida pela cautela.
Yunice saiu do banheiro. Ao passar pela sala, viu uma jaqueta de terno jogada no sofá. Não importava se era de Owen ou de Paul, pegou e vestiu. Era grande, mas suficiente para cobrir suas pernas.
Assim, deixou o hotel sem parar no quarto de mais ninguém. Dentro de um táxi, pegou o celular do motorista emprestado e ligou para Gill.
Mas ninguém atendeu. Seja porque a empregada estava ocupada demais procurando por ela ou por algum outro motivo, a chamada continuava tocando sem resposta.
O motorista perguntou para onde ela queria ir.
A jovem pausou, depois disse: “Delegacia de polícia.”
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