Os lábios de Alfred se curvaram em um sorriso calmo e agradável. Sua mão enrugada se ergueu levemente, gesticulando em direção à cadeira ao lado de Jeffrey Cavalier.
— Sente-se, Isla.
Mas Isla não se moveu.
Por um segundo, sentiu o coração parar. O medo correu por suas veias como gelo. Ela tinha certeza de que o velho acreditara na mesma mentira que Gabriel. Seu instinto foi se defender, explicar, implorar para que ele acreditasse nela. Mas, antes mesmo que pudesse abrir a boca, as próximas palavras de Alfred lhe roubaram o ar dos pulmões.
— Não seja tola, Isla. — Disse ele com tranquilidade.
— Eu preparei tudo. Os resultados falsos do teste de gravidez, as fotos, tudo isso. Eu orquestrei tudo. Agora, sente-se e me escute.
O mundo ao redor dela pareceu congelar. Isla encarou-o, sem piscar. Seus joelhos vacilaram, e ela segurou a borda da cadeira para se firmar.
— O quê… o que o senhor acabou de dizer? — Sussurrou, a voz trêmula.
Alfred apenas a observava com a mesma expressão serena, como se o que acabara de confessar não fosse nada extraordinário.
Aquilo a atingiu como um raio. Era ele. Ele era o inimigo que ela vinha procurando. O motivo de Gabriel ter se tornado frio, o motivo de ele olhá-la com desconfiança em vez de amor. Sempre fora Alfred.
A garganta dela se apertou, lágrimas se acumulando rapidamente em seus olhos azuis até embaçarem sua visão.
— Por quê? — A voz dela falhou, suave e quebrada.
— Por que o senhor fez isso comigo, vovô?
Ela deu alguns passos curtos à frente, balançando a cabeça enquanto a incredulidade e a dor disputavam espaço dentro dela.
Jeff permaneceu em silêncio, evitando o olhar dela. As mãos estavam entrelaçadas sobre o colo, o rosto ilegível. Ele sabia que não era prudente interferir. Alfred Wyndham não era um homem que alguém ousasse questionar, nem mesmo ele.
O velho havia construído impérios do nada, manipulado indústrias, famílias e até linhagens de sangue para proteger seu nome.
Alfred finalmente suspirou, apoiando ambas as mãos na bengala. Sua voz suavizou, mas ainda carregava autoridade.
— Talvez quando você se sentar, eu explique.
Ele se virou para Jeffrey.
— Você está dispensado, Jeffrey. Obrigado pelo seu tempo.
Jeff se levantou imediatamente, ajeitou o paletó e fez um aceno educado para Isla. Ela não retribuiu. Seus olhos estavam cheios de dor para notá-lo. A porta se fechou atrás dele com um clique suave, selando-a dentro do escritório com o homem que acabara de destruir sua confiança.
Ela odiava Jeffrey agora. Acreditava que ele fazia parte da armação. Seu estômago se revirou só de pensar nisso.

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