Depois de ler o exame de gravidez falso, Isla teve certeza de que alguém a estava vigiando. Alguém que não queria que o relacionamento dela com Gabriel sobrevivesse.
Mas naquele momento, ela precisava dizer a verdade a ele.
Ela fungou e falou baixinho, a voz trêmula:
— Esse resultado é falso. Eu posso provar.
Por um breve instante, a expressão de Gabriel suavizou, um lampejo de esperança brilhou em seus olhos. Ele queria acreditar nela. Mas algo dentro dele lutava contra isso.
Isla rapidamente pegou o envelope que havia deixado cair sobre a mesa. Rasgou-o, deu um passo à frente e segurou a mão dele, colocando o novo envelope em sua palma.
— Esse é o resultado correto. — Disse, com firmeza.
Gabriel a encarou, os olhos indecifráveis. Ainda não havia aberto o envelope; apenas observava o rosto dela, procurando algo, talvez a verdade. Talvez mais.
— Eu me senti mal esta manhã. — Continuou Isla.
— Então fui ao hospital depois que você saiu para o trabalho. O médico fez o exame, e esse foi o resultado. Eu estou grávida de apenas quatro semanas, não de oito. Eu queria te surpreender hoje à noite. Tudo isso — ela gesticulou para o jantar à luz de velas — fazia parte da surpresa que preparei para você antes de tudo virar esse caos.
— Por favor, acredita em mim.
As mãos de Gabriel tremiam enquanto ele desdobrava o papel. Ele o segurava como se carregasse o peso do mundo inteiro. Seus olhos percorreram as palavras e então de repente ele congelou. O maxilar se contraiu. O fogo voltou ao olhar.
— Foi esse o resultado que o seu médico te deu? — Perguntou, as narinas se abrindo.
— Foi. — Ela respondeu depressa, a esperança brilhando entre as lágrimas.
— Esse é o verdadeiro.
Gabriel assentiu lentamente. A voz saiu baixa, mas afiada:
— Aqui diz que você está grávida de oito semanas, Isla. Não de quatro, como você disse. Eu já não sei no que acreditar.
Ele ergueu o exame no ar, a mão tremendo levemente.
O coração de Isla despencou. Ela correu, arrancou o papel da mão dele e leu por si mesma. Os olhos se arregalaram em descrença. Ela pegou o primeiro resultado — aquele que Gabriel havia trazido antes — e comparou com o outro. As mãos tremiam violentamente. As lágrimas escorriam livremente por seu rosto.
— Não… isso não é possível. — Sussurrou.
— Como isso pode estar acontecendo?
Os olhos de Gabriel agora ardiam; o verde calmo havia desaparecido. Ele ficou ali, observando a mulher que amava se desfazer, murmurando para si mesma em confusão e medo.

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