Isla comia seu arroz chinês em silêncio, os olhos fixos no prato como se o resto do mundo já não importasse. Seu rosto estava pálido, cansado, despido de qualquer emoção. Ela nem sequer reagia quando as empregadas se moviam ao redor, servindo mais comida. Tudo o que importava naquele momento era a comida, uma colherada após a outra, lenta e silenciosa.
Do outro lado da mesa, Diana a observava atentamente. Cada pequeno movimento da colher de Isla apertava seu coração. Ela não conseguia tirar os olhos da filha. A dor estava estampada no rosto de Isla. Uma dor que, em parte, Diana sentia ter ajudado a criar, mesmo sem jamais ter sido sua intenção.
A culpa queimava fundo em seu peito. Durante anos, ela assistira Anna atormentar Isla e não dissera nada. Permanecera em silêncio não por fraqueza. Não. Mas porque acreditava estar fazendo o melhor para a filha.
Não. Não de novo.
Desta vez, ela lutaria por sua filha. Mesmo que isso significasse derrubar toda a família Wyndham, ela faria. Anna pagaria por cada lágrima, cada humilhação, cada noite sem dormir que causara a Isla.
No entanto, Isla parecia ler os pensamentos da mãe. Ela sentia que, se não dissesse ou fizesse algo logo, Diana poderia exagerar a situação e criar problemas desnecessários entre as duas famílias. Então decidiu contar a verdade à mãe, mas de uma forma que ela pudesse suportar.
— Mamãe. — A voz de Isla quebrou o silêncio pesado.
— Eu sei que você viu as notícias. Provavelmente ouviu cada palavra que disseram sobre mim. Mas quero te assegurar uma coisa: é tudo mentira.
Seu tom era muito calmo. Ela levou mais uma colherada de arroz à boca, mastigou devagar e bebeu um gole de água antes de continuar.
— Como você já sabe, Anna faz qualquer coisa para tornar minha vida miserável. Mas desta vez, Gabriel não está do lado dela.
Diana franziu a testa, confusa.
— O que você quer dizer?
Ela sabia o quanto Anna era próxima dos netos de Alfred, especialmente de Gabriel. Durante anos, Anna o manteve sob seu controle. Era assim que ela dominava tudo naquela casa.
Isla se recostou levemente e suspirou.
— Anna quis que Gabriel se divorciasse de mim. Ela chegou a anunciar publicamente o nosso divórcio e disse a ele que deveria se casar com Delphine.
Os olhos de Diana se arregalaram.
— O quê?! — Ela quase gritou.
— Mas Gabriel se manteve firme, mamãe. Ele se recusou a seguir o jogo dela. Disse a todos que eu sou a esposa dele e que nunca vai se divorciar de mim. Então não se preocupe. — Isla disse suavemente.
— Meu casamento ainda está intacto.
Diana fechou os olhos e soltou um longo suspiro, um alívio trêmulo escapando de seus lábios. Por um momento, ficou ali em silêncio, agradecendo a Deus, enquanto Isla voltava a comer.
— Isso é bom. — Murmurou Diana.
— Mas e o seu cargo? Por que Delphine está ocupando sua posição?
Isla pousou a colher lentamente e se endireitou.
— Esse é outro jogo que o vovô está fazendo. — Disse com calma.
— Eu o conheço bem, mamãe. Ele sempre tem um plano. Se ele acredita que Delphine merece aquele escritório, então há um motivo por trás disso. Eu confio no julgamento dele.

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