Existem pessoas neste mundo que não podem caminhar livremente como as outras. Uma dessas pessoas é a família Wyndham, especialmente os herdeiros da família.
Eles são conhecidos. Vigiados. E são valorizados de formas que chegam a ser perigosas.
Para pessoas famintas por dinheiro, famílias como os Wyndhams não são seres humanos. São cifras. São alvos. Capturar até mesmo um membro da família é como ganhar uma fortuna da noite para o dia. É por isso que os filhos de Isla e Gabriel não são como as outras crianças.
Eles não podem caminhar livremente, mesmo que queiram. Não podem rir alto em público sem a proteção adequada. Não podem se mover pelo mundo sem que haja olhos seguindo-os. E hoje, o perigo os seguiu silenciosamente.
Imediatamente após as crianças saírem da escola, um grupo de ladrões começou a seguir o comboio. Eles mantiveram distância. Misturaram-se ao tráfego. E infelizmente os guarda-costas não os notaram. Agora, aqui estavam eles. Do lado de fora da doceria de luxo. Cercados.
Seis homens armados deram um passo à frente de diferentes direções, bloqueando todas as saídas possíveis. Seus movimentos eram confiantes, planejados e ousados. Armas estavam visíveis. Não houve tentativa de esconder a intenção.
— Ora, ora, ora. — Disse um deles, claramente o líder. Um sorriso torto repousava em seus lábios enquanto erguia levemente a arma. — Não é o nosso dia de sorte?
O ar congelou. Imediatamente, os guarda-costas reagiram.
Quatro homens treinados deram um passo à frente, posicionando-se instintivamente diante das crianças. Armas foram sacadas e apontadas para a gangue armada sem hesitação. Seis contra quatro. Mas os números não eram o real problema. O real problema eram as crianças paradas logo atrás deles.
A distância entre as ameaças e os pequenos era muito curta, perigosa demais. Um movimento errado, um tiro descuidado, e tudo estaria perdido. A mente dos guarda-costas corria. Como levar as crianças para a segurança sem desencadear um tiroteio? Como protegê-las sem disparar uma única bala?
Atrás deles, o medo finalmente se instalou.
As mãos pequenas de Elara tremiam enquanto lágrimas enchiam seus olhos. Os lábios de Sebastian tremiam enquanto ele agarrava a manga da irmã, já tinha esquecido seu sorvete há muito tempo. O pânico crescia em seus olhos.
Mas Aurelian reagiu imediatamente. Ele puxou ambos para mais perto de si, envolvendo-os com os braços de forma protetora. Seu corpo pequeno moveu-se instintivamente, protegendo-os da vista como um adulto faria. Como alguém que entendia o perigo bem demais para a sua idade.
O líder da gangue riu novamente, divertido com a cena.
— Apenas entreguem as crianças. — Disse ele casualmente.
— E deixaremos vocês saírem vivos.
O chefe da guarda estreitou os olhos.
— Que tal você se salvar antes que seja tarde demais? — Respondeu friamente.
A gangue caiu na gargalhada. Eles achavam que já tinham vencido. Aquela parte da cidade deveria ser livre de crimes, mas a ganância torna as pessoas imprudentes. Aqueles homens acreditavam que a recompensa valia o risco.
Os soluços de Sebastian ficaram mais altos. Elara enterrou o rosto no peito de Aurelian, chorando baixinho. Aurelian apertou o abraço neles. Ele não chorou, não tremeu. Seus olhos permaneceram afiados e alertas enquanto observava cada movimento.
E de repente, algo aconteceu num flash. Foi tão rápido que ninguém teve tempo de reagir. Gritos altos ecoaram:
— Larguem as armas!
Antes que a gangue pudesse sequer virar a cabeça, vários policiais armados os cercaram por todos os lados. Armas foram derrubadas das mãos. Homens foram jogados no chão. Algemas foram fechadas uma após a outra. Os seis homens armados foram desarmados e contidos em segundos.
O perigo terminou tão subitamente quanto começou. Unidades de patrulha da polícia haviam chegado e feito seu trabalho perfeitamente. Eles estavam monitorando a área como parte de suas verificações rotineiras de segurança. Viram o movimento suspeito e agiram imediatamente.
O alívio lavou a cena. Os guarda-costas baixaram as armas lentamente, expirando com força. Um deles olhou para trás para verificar as crianças. Sebastian e Elara ainda choravam, abalados e aterrorizados. O medo finalmente encontrara uma saída.
Mas Aurelian... Aurelian estava calmo. Ele segurava os irmãos com força, esfregando as costas de Elara gentilmente, sussurrando algo baixo para ela. Seus olhos permaneciam nos homens presos, observando enquanto eram arrastados. Não havia medo ou lágrimas em seus olhos. Apenas um foco silencioso.
A polícia começou a isolar a área, garantindo que não houvesse mais ameaças. Clientes que se esconderam anteriormente saíram devagar, sussurrando entre si. O perigo havia passado. Mas uma coisa estava clara para todos os presentes: aquelas crianças não eram comuns. Eram os herdeiros Wyndham. E o menino parado entre os dois irmãos chorando, protegendo-os com seu corpo pequeno e olhar firme, carregava uma presença muito além de seus anos.

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