O jantar naquela noite deveria ter sido tranquilo, mas tanto Isla quanto Gabriel carregavam o peso de um dia longo e exaustivo. A mesa estava silenciosa, exceto pelo som suave da faca de Gabriel cortando seu bife. Ele mastigava devagar, tentando relaxar os ombros tensos.
À sua frente, Isla nem sequer tocava na comida. Ela andava pela sala de jantar com o telefone pressionado ao ouvido.
— Sinto muito, Betsy. Estou realmente ocupada esta semana. — Disse Isla gentilmente.
— Mas prometo que irei na próxima semana... nem que seja apenas por dois dias.
Gabriel congelou. Dois dias?
Sua mão parou no ar. Então, ele pousou lentamente os talheres, dobrou o guardanapo com cuidado e limpou a boca. O movimento simples não conseguia esconder a preocupação que atravessou seu rosto. Dois dias sem ela? Duas noites inteiras? Ele não sabia como se sentir.
Isla continuou a ligação, andando de um lado para o outro com sua seriedade profissional habitual. Ela e Betsy discutiam os detalhes finais para o lançamento do mais novo produto de Isla, um pingente de diamante amarelo que ela vinha projetando há meses. Seria o maior lançamento delas até agora.
As coisas haviam mudado tão rápido. Rápido demais. Isla mal tinha tempo para si mesma. Mas estava orgulhosa, orgulhosa por sua empresa agora ter dois belos escritórios em Teriporto e Carminton. Orgulhosa por seu trabalho finalmente estar tomando forma da maneira que Alfred Wyndham sempre esperara.
Ainda assim, ela tinha uma responsabilidade maior agora: a Wyndham Homes. Seus dias estavam lotados. Sua mente estava esticada em cem direções ao mesmo tempo. No entanto, mesmo com todo o trabalho, ela sabia que Betsy precisava crescer também. Betsy precisava lidar com o negócio com confiança, sem Isla guiando cada passo. Era por isso que Isla planejava viajar, para que Betsy pudesse se sustentar sozinha de verdade.
Gabriel observava Isla enquanto ela caminhava. Ele não interrompeu. Não falou. Simplesmente a encarava com um peso estranho no peito. Ele não estava pensando no pingente de diamante. Não estava pensando nas reuniões que ela teria ou no lançamento que planejava.
Ele estava pensando apenas em uma coisa: ela ficaria fora por dois dias. E ele ficaria sozinho.
Nos últimos meses, Gabriel se acostumara tanto com a presença de Isla que ela se tornara parte de sua vida. Compartilhar o quarto com ela, vê-la antes de dormir, acordar ao seu lado em manhãs silenciosas... todas essas pequenas coisas haviam se tornado sua paz. Seus pesadelos haviam parado. Sua mente descansava melhor. De alguma forma, a presença dela suavizava os dias difíceis.
Ele nem sequer percebera o quanto dependia dela até aquele momento.
— Tudo bem, falo com você amanhã. Tchau. — Disse Isla, finalmente encerrando a ligação.
Quando ela se virou, encontrou Gabriel olhando para ela com uma expressão que ela não conseguia decifrar.
— O que aconteceu? — Perguntou ela suavemente enquanto caminhava em sua direção. Sentou-se ao lado dele, com o rosto cheio de preocupação.
— Você quer ir para Teriporto por dois dias? — Perguntou Gabriel, franzindo a testa.
Isla piscou.

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