— Isso é inacreditável. — Murmurou Gabriel para si mesmo. Sua voz era baixa, mas a dor contida nela preenchia todo o escritório. — Como ela pôde?
Suas palavras tremiam, e embora falasse suavemente, Stone e o senhor Miles podiam sentir o quão profundamente ele estava ferido.
Gabriel não era um homem que confiava facilmente, não depois de tudo o que passara. E ainda assim, Suzanne era uma das poucas pessoas que ele permitira se aproximar. Ele confiava nela muito mais do que em Jude. Ela estivera com ele por anos, sempre cumprindo seu dever.
E agora isso?
Stone permaneceu em silêncio, observando os ombros de seu chefe subirem e descerem enquanto Gabriel tentava se recompor. Stone sabia que Gabriel estava chegando ao seu limite. Muitas coisas haviam acontecido em um curto espaço de tempo: perder a mulher que pensava ser sua mãe, descobrir a verdade, voltar ao trabalho após ser abalado emocionalmente. E agora, além de tudo isso, traição novamente. Outra ferida. Outra decepção. Mais uma pessoa em quem confiava voltando-se contra ele.
O coração de Stone apertou.
"Isso é demais para ele." Pensou Stone.
Cedo demais e pesado demais.
Sem perder tempo, Stone pegou o telefone e enviou uma mensagem rápida para Isla. Contou o que encontraram no escritório. Não deu muitos detalhes, mas a mensagem foi clara: Gabriel estava ferido, confuso e sob forte pressão emocional.
Gabriel respirou fundo.
— Senhor Miles — disse ele, a voz soando mais calma agora, mas ainda firme —, você pode encerrar por hoje. Não há mais razão para mantê-lo aqui. Apenas... guarde isso para você por enquanto.
O senhor Miles assentiu rapidamente.
— Entendido, senhor. Eu compreendo. — Ele recolheu seu laptop, levantou-se e caminhou até a porta. Mas, antes de sair, voltou-se com uma pequena reverência de respeito.
— Boa noite, senhor Wyndham.
A porta se fechou atrás dele e o silêncio se seguiu.
Stone deu um passo à frente.
— Senhor, vou preparar o carro.
— Tudo bem. — Murmurou Gabriel.
Stone saiu do escritório rapidamente, deixando Gabriel sozinho em sua sala.
Gabriel esfregou as mãos no rosto lentamente, pressionando as palmas contra os olhos cansados. Sentia-se confuso, zangado, ferido e sobrecarregado. Caminhou pelo escritório como alguém que procura uma parte de si mesmo que se perdeu.
— Como isso aconteceu? — Sussurrou para a sala vazia.
Ele não sabia como lidar com a situação. Tinha suas suspeitas sobre Wyatt há muito tempo, Wyatt sempre pareceu inquieto, aproveitando qualquer oportunidade para colocar as mãos no dinheiro da Wyndham. Ele era muito imprevisível.
Mas Suzanne? Por que ela permitiria que isso acontecesse? Como pôde deixar Wyatt usá-la? Como permitiu ser arrastada para algo que poderia destruir toda a sua carreira?
Ele a pagava bem. Nunca lhe faltara nada. Se dinheiro não era o motivo, então o que era?
Gabriel andou pelo espaçoso escritório repetidas vezes, tentando montar o quebra-cabeça, mas nada fazia sentido. Sua cabeça latejava. Seu corpo doía pelo longo dia. Sua mente parecia pesada, cansada e lenta.
A certa altura, ele simplesmente parou e pressionou as mãos sobre a mesa de vidro, respirando fundo. Não conseguia mais pensar. Precisava ir para casa. Precisava de paz, mesmo que por um breve momento.
Ele pegou o paletó, o telefone, apagou todas as luzes e trancou o escritório com segurança antes de sair.
O trajeto para casa pareceu longo e estranhamente silencioso. Gabriel sentou-se no banco de trás, olhando pela janela. As ruas de Carminton estavam quase vazias àquela hora. Os postes brilhavam suavemente, refletindo na estrada silenciosa. Tudo lá fora parecia calmo, pacífico e lento, tão diferente da tempestade dentro dele.
Ele repensou tudo. Os vinte bilhões roubados. A assinatura forjada. O selo do escritório violado.

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