Dois dias se passaram desde que as empresas Wyndham reabriram oficialmente. Os edifícios ganharam vida novamente, funcionários preencheram os corredores e as reuniões tornaram-se incessantes. Mas, para Gabriel, esses dois dias pareceram mais longos do que o normal. Ele se afogou no trabalho desde a manhã até o final da noite. Tinha contratos empilhados em sua mesa, ligações para retornar e várias reuniões alinhadas como uma corrente sem fim.
E, acima de tudo, ele tinha uma reunião importante com o contador-chefe.
Por horas, Gabriel e o contador-chefe, senhor Jacob, sentaram-se juntos revisando relatórios e demonstrações financeiras. A princípio, tudo parecia normal. Os números estavam equilibrados. Mas então eles se depararam com algo estranho, algo que fez o coração de Gabriel desacelerar em estado de choque.
Uma quantia enorme de fundos havia desaparecido.
Gabriel encarou os papéis. Vinte bilhões de dólares haviam sido sacados. Sua assinatura estava lá. O selo da Wyndham estava carimbado. Tudo parecia oficial.
Mas ele não se lembrava de ter aprovado tal coisa.
Nenhuma reunião sobre o assunto, nenhum documento ou discussão. Nada do que ele pudesse se recordar.
Alguém havia forjado sua assinatura. Isso era fato, e pior ainda, haviam usado o selo da empresa Wyndham, o qual deveria ser impossível de acessar sem entrar em seu escritório particular.
O senhor Jacob olhou para Gabriel, com o rosto confuso e preocupado.
— Se o senhor não autorizou a saída desse dinheiro — perguntou ele cuidadosamente —, então quem foi?
Gabriel recostou-se lentamente, mergulhado em pensamentos. Ele esfregou a testa enquanto a frustração o envolvia. Eram tantas perguntas sem respostas. Como alguém poderia copiar sua assinatura tão perfeitamente? E o selo, seu selo pessoal, como alguém conseguira tocá-lo?
Quem fora ousado o suficiente... ou próximo o suficiente... para fazer isso?
— Eu ainda não tenho as respostas, senhor Jacob. — Disse Gabriel finalmente, com uma voz calma e firme.
— Mas quando eu as tiver, você será o primeiro a saber.
O contador de meia-idade suspirou suavemente e se levantou. Ele recolheu suas pilhas de arquivos um por um, ainda parecendo perturbado.
— Eu já vou indo, senhor. — Disse educadamente.
Gabriel assentiu.
— Eu o manterei atualizado.
No momento em que a porta se fechou atrás do contador, Gabriel estendeu a mão e pressionou o botão do interfone.
— Venha ao meu escritório agora. — Disse ele à sua secretária.
Ele encerrou a chamada e imediatamente fez outra.
— Preciso de você no meu escritório agora mesmo.
Seu tom não deixava margem para atrasos.
Um momento depois, uma batida suave soou na porta. Ela se abriu e Suzanne, sua secretária, entrou. Ela mantinha sua expressão profissional de costume, embora parecesse um pouco nervosa.
— Sim, senhor Wyndham. O que posso fazer pelo senhor? — Perguntou ela.
Os olhos de Gabriel permaneceram fixos nela enquanto respondia: — Sente-se e espere pelo Jude.
Suzanne piscou, surpresa com a instrução, o que fez suas sobrancelhas se contraírem levemente. Seu chefe quase nunca pedia que ela se sentasse em seu escritório, a menos que o assunto fosse extremamente sério, e aquela situação não parecia ser um daqueles casos raros que ela conhecia.
Ainda assim, ela obedeceu em silêncio. Ocupou uma das cadeiras em frente à mesa dele, com as mãos cruzadas ordenadamente no colo.


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