— Eu não sei como tudo se alinhou tão perfeitamente. — Admitiu ele, a voz falhando sob a pressão.
— De verdade, não faço idéia. — Repetiu.
— Ela me convidou para vir aqui. E, como antes, queria que eu dormisse com ela. E como em todas as outras vezes, ela gemia um apelido. — Ele balançou a cabeça, impotente.
— Eu juro, foi tudo atuação dela. Eu nem sabia que ela estava fingindo estar com você.
O quarto pulsava com tensão, e parecia difícil respirar. Os olhos de Gabriel perfuravam Carl, buscando qualquer indício de falsidade, seu coração batendo com uma mistura volátil de fúria e descrença. Como Delphine pudera orquestrar algo tão vil e pessoal? O pensamento de que ela tramara para estilhaçar seu casamento despertava algo perigoso em seu peito.
Gabriel voltou-se para Stone. O rosto de Stone permaneceu completamente sério enquanto ouvia. Após um momento, ele deu a Gabriel um aceno curto e firme, um sinal silencioso de que Carl, até onde ele podia ver, dizia a verdade.
Gabriel inclinou-se para frente, sua voz caindo para um sussurro perigoso que cortava o silêncio.
— Se eu descobrir um fragmento sequer de mentira no que você disse, sua carreira não vai apenas decair, ela vai virar cinzas. Ao contrário de Delphine, que apenas o chantageou para seus jogos, eu não faço ameaças vazias. Eu irei atrás de você. Acusações de falsidade ideológica, processos que arrastarão seu nome pela lama... e farei questão de que sua agência também sinta o impacto. Cada porta onde você bater se fechará com estrondo.
O rosto de Carl empalideceu, seus olhos escuros arregalados com um medo genuíno. O arrependimento gravado em suas feições acentuou-se, com linhas de exaustão e vergonha cavando mais fundo em sua pele. Ele engoliu em seco, o pomo de adão saltando visivelmente.
— Eu te contei a verdade, cada detalhe dela. Eu odeio aquela mulher, cara, quero dizer, ela é perversa, perigosa de maneiras que eu nunca imaginei. — Suas palavras tremiam, carregadas com o amargor de um homem que já passara por muita coisa.
Gabriel o estudou por um longo momento, a guerra interna travada entre misericórdia e justiça. Ele tinha que escolher. Finalmente, expirou, a decisão assentando-se como um fardo pesado.
— Você pode ir. Por enquanto.
Carl estremeceu com as palavras; o "por enquanto" era uma incógnita que lhe enviou um calafrio pela espinha. Mas o alívio inundou seus olhos, e ele se levantou com pernas instáveis.
— Obrigado, cara. — Murmurou as palavras de gratidão enquanto caminhava apressado em direção à porta.
Gabriel não ofereceu resposta, sua expressão era uma fortaleza de determinação. Stone deu outro aceno curto para Gabriel antes de escoltar Carl para fora da suíte. A porta se fechou, deixando Gabriel sozinho com o eco das revelações que remodelavam seu mundo.
Amanhã era o casamento de Peter. Assim que terminasse, Gabriel não hesitaria mais. Ele iria atrás de Delphine. E faria questão de que ela pagasse por tudo o que fizera, não apenas a ele, mas ao seu casamento, à sua paz e à sua esposa. Ele não descansaria até que tudo estivesse resolvido.

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