Amélia
A certeza de que fez papel de ridícula era mortificante, mas ela só queria sair da presença daquele homem que a fazia se sentir em brasa viva.
Como foi que aquele beijo aconteceu? Tocou os lábios com as pontas dos dedos, ainda sentindo a boca dele ali. Seu sangue pulsava para áreas adormecidas do seu corpo.
Deslizou contra a porta. O que havia de errado com ela?! As pernas amoleceram, como se fossem parafina contra o fogo. O batimento acelerado de seu coração deixou a garganta seca, sedenta de algo que não era água.
- Eu preciso arrumar um namorado... – murmurou para si mesma.
Repassando cada gesto dele, seu jeito forte de pegar e apertar; provar e devorar; certamente ele estava acortumado a ter as mulheres se jogando aos seus pés.
Ela não era feita de ferro. Que santa resistia a um homem daquele?
Além de gostoso, forte, ele era muito atraente e másculo. E com um beijo desses, poderia fazer qualquer uma perder a sanidade.
- Não seja burra Amélia! Pare de pensar nesse homem....
Se levantou sentindo o tecido do vestido se colar a suas coxas suadas. A mão enorme dele agarrou sua bunda e coxas com tanta vontade...
- Ahhhhh que inferno de homem!
Somente uma pessoa permaneceu em seus pensamentos de forma tão intensa e persistente assim. O homem a quem entregou a sua virgindade.
Naquela noite, se rendeu ao estranho que dominava completamente suas reações; ele era capaz de ler seus desejos e anseios sem que ela dissesse uma palavra, seu toque era como comandos perfeitos de um exímio artista em uma performance arrebatadora. Ele usou seu corpo de uma maneira que ela nunca imaginou que fosse possível.
Pensar no desconhecido de cinco anos atrás, de certa forma rompeu o casulo da luxuria que Ícaro Darius teceu em torno dela.
Ela ainda guardava na lembrança tudo o que se permitiu sentir naquela noite. E também o que veio depois.
A fúria de Fernando foi ensandecida e imprevisível.
No final, tudo o que restou, foi uma garota quase morta no chão frio e úmido do porão da mansão, acalentanto a esperança de morrer logo e acabar com aquele sofrimento.
Era por esse motivo que se mantinha longe do sexo oposto. Estar com aquele desconhecido foi algo único, que nunca se repetiria.
E o restante dos homens, nunca inspiraram confiança. Não depois do que passou com Fernando. Ícaro Darius não era uma excessaõ.
Amélia se levantou, verificando o celular.
Chamadas perdidas de Sam, e duas mensagens. Aparentemente, ela ferrou no sono e estava dormindo. O novo namorado se dignou a avisá-la; dadas as circunstâncias, isso era um grande progresso.
Uma babaquice sem fim.
Amélia cedeu às contantes opniões de Sam, aceitando dois encontros com homens que trabalhavam em empresas vinculadas ao emprego de sua prima.
O primeiro não foi de tudo ruim. Ele tinha um jeito tímido, e beijava mal, mas não ficou incomodado com sua aparência plus size; pelo menos não aparentou isso. Mas não tinham química, ou qualquer emoção. Era como estar saindo com um padre.
Já o segundo, era mais interessante e sabia como envolver as mulheres. Amélia ficou reticente quando ele mudou os planos de ir ao cinema, a levando para um bar em um bairro muito afastado, um lugar escuro com cheiro estranho.
Depois da segunda dose de caipirinha, que era o seu suco da verdade, percebeu o motivo de estar naquele lugar. Ele não queria ser visto com ela em lugares que poderia encontrar qualquer pessoa conhecida.
Ela bebeu muito aquela noite, mas dada a sua resistência ao álcool, nem chegou a ficar “alegre”. O marmanjo iniciou uma tentativa de tranzar no carro, ele nem mesmo tentava tocar seu corpo. Só queria se satisfazer; não importava se fosse ela, ou uma cadela de rua.
Na ocasião, ela soltou uma risada histérica, era hilário o quanto sua vida atraia babacas. Arrumou as roupas e pediu que ele a levasse para casa.
O cara não gostou de ser regeitado por uma gorda. O tal Bruno, a deixou em uma avenida, tarde da noite e se mandou.
Amélia caminhou por quilômetros, até encontrar um ponto de ônibus.
Depois disso, nunca mais foi capaz de sair com ninguém.

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