Ao abrir a caixa, o choque e a dor tomou conta dela. Amélia não conseguia conter as lágrimas, pressionando os lábios para silenciar qualquer som.
Dentro do embrulho havia um bolo, com o formato de uma cabeça de porca. A voz de Fernando ecoou dentro da cabeça dela.
“Você sempre será uma porquinha. Meu bichinho de estimação!”
“Onde você pensa que vai, porquinha?!”
“Ande de quatro, como a porca que você é!”
Não se lembrava de como chegou a sua sala naquele dia. Levou um tempo para que conseguisse parar de chorar.
Para piorar, naquela tarde houve uma reunião emergencial com o departamento de criação. Algumas mudanças foram solicitadas para o projeto Bahamas e a equipe estava em um beco sem saída com essas novas exigências dos sócios.
Alberto coordenava a equipe. Furioso com a incapacidade de encontrarem uma solução, ele lançou olhares glaciais na direção de todos. Amélia não escapou ilesa. Houve críticas ferozes à demanda crescente da aprovação orçamentária que passava por sua mesa, e segundo o Alberto Darius, “Até uma ameba é capaz de concluir isso mais rápido!”.
Foi difícil ouvir aquilo depois daquela surpresinha deixada na geladeira. Ticiano chamou para um café, e insistiu para saber o que estava acontecendo.
Os olhos vermelhos e inchados não podiam ser disfarçados com maquiagem. Qualquer um que olhasse para ela, veria a imagem da derrota.
Amélia conseguiu apaziguar o amigo preocupado, dizendo que estava muito cansada e se sentia estressada com o final das aulas e o TCC para apresentar.
Por esse motivo, acabou ganhando a presença de Ticiano na faculdade no dia, quando apresentou sua tese à banca. Ele insistiu para comemorar em um barzinho próximo da faculdade.
Algumas garotas e dois rapazes da turma se juntaram a eles. E no final da noite, até Samanta estava na farra, bebendo e dançando.


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