Ícaro
O fim de semana chegou rápido, e a irritação de Ícaro pirou conforme o sábado chegava ao fim. A mudança de humor se dava pela viagem aos Estados Unidos agendada para a segunda-feira.
As sessões com Amélia estavam cada vez mais intensas e prazerosas. Ela era uma sub atrevida, que gostava de desafiá-lo, somente para dar mais prazer em castigá-la.
No fim, ela sempre amolecia em seus braços, exausta, com um sorriso satisfeito. Iniciar essa mulher era desafiador e ao mesmo tempo emocionante.
Há tempos considerou a prática de dominação morta para ele. Em razão de tudo que aconteceu com Astrid, não conseguia se conectar nesse nível tão profundo com alguém.
A garota de olhos suplicantes, vestida com um corselet preto atingiu o ponto adormecido. As mulheres olhavam para ele com ganância e luxúria, ver aquela expressão em seus rostos desprovidos de emoções verdadeiras, era tão banal e mecânico.
Com Amélia, foi totalmente diferente. As lágrimas contidas em seus olhos sob a máscara, suas palavras suplicantes foram uma espécie de droga para ele. Queria mais de suas emoções, antes de chegar ao hotel naquela noite, já se perguntava que tipo de reação ela teria ao ser dominada, ela iria chorar quando fosse penetrada?
A imagem dela com aquela roupa, mordendo os lábios de apreensão e ansiedade, povoava suas fantasias. Por esse motivo, se divertia vestindo Amélia com uma variedade de roupas eróticas, com as quais ela se transformava em uma deliciosa garota pervertida.
Esses pensamentos desapareceram quando ela tentou beijá-lo assim que entraram no quarto. As mãos dela estavam geladas, trêmulas, e a boca tocou a dele com inocência e doçura.
Não pode resistir aquilo.
Se culpou por não se conter, por roubar sua virgindade de forma tão selvagem e primitiva. Ela estava machucada pela manhã, e mesmo assim fugiu do hotel como uma criminosa.
Tudo por culpa da fome descontrolada dele.
Ícaro inclinou o rosto para os céus, penteando os cabelos molhados com as mãos. As estrelas já estavam brilhando, e o céu se dividia entre laranja escuro e o azul da noite.
O silêncio sempre foi apreciado, mas agora se tornou um incômodo. Amélia saiu com Samanta, e ainda não tinha voltado para casa. Ela não sabia da viagem, e ele mandou Ticiano ocultar o fato.
No fundo, se sentia inseguro. Se ela se sentisse sozinha e ocorresse uma crise emocional, não estaria ao lado dela. Amélia ainda era vulnerável demais para ficar em casa sem ele.
Quanto mais pensava sobre isso, mais rejeitava a ideia de viajar sem ela.
Também havia outra questão.
Estavam preocupado com ela em relação ao seu corpo. O sexo era intenso e desgastante, muitas vezes ela sangrava e ficava dolorida. Mesmo assim, Amélia se recusava a ver um ginecologista.
Interpretou a questão somente como se ele estivesse preocupado com uma possível gravidez. Ela disse que tomava contraceptivos e encerrou o assunto. No entanto, não foi encontrado nenhum medicamento desse tipo nas coisas dela.
Somente ansiolíticos, e alguns antidepressivos receitados pelo terapeuta que a acompanhava.
Ele perguntou diversas vezes o motivo da recusa. Pensou até na possibilidade dela querer engravidar, porque se sentia desconectada com o resto das pessoas. Afinal, ela nunca teve uma família afetuosa.


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