Amélia
Ela olhou para o prato totalmente limpo à sua frente e ficou pensando se deveria ter comido tanto. O prato principal estava tão delicioso que não conseguia se conter, parecia que tudo tinha um gosto diferente quando se está grávida.
- Como estava a sua viera? – ela perguntou, olhando para o rosto esculpido de Ícaro.
O meio sorriso dele fazia seu corpo esquentar instantaneamente, e nem era ela quem estava bebendo vinho. Amélia desviou os olhos, corada. Era como se estivessem se conhecendo novamente.
Sentia a atração, a tensão sexual gritante entre eles, que fazia com que qualquer toque se transformasse em chamas crepitantes.
Se privar do sexo não deu certo, então Ícaro descobriu uma forma de fazer amor mais comedida e cuidadosa. Havia satisfação no momento, mas ela sentia que precisava de mais, muito mais.
Não queria que ele continuasse se contendo e nem evitando apertar, agarrar e usar toda a sua força viril. Ela precisava daquilo, dessa emoção, dessa sensação de êxtase de ser preenchida inúmeras vezes, de várias formas diferentes, com paixão e vigor.
- Estava macia e suculenta. – ele finalmente respondeu, encontrando os olhos dela por cima da borda da taça. – Pare de pensar em sacanagem, consigo ler seus pensamentos safados só de olhar para o seu rosto, pequena.
Amélia fez uma careta e bebeu um gole de água. Ícaro riu, pegando a mão dela sobre a mesa.
- Você é muito convencido, Sr. Darius. – Amélia bebeu mais um gole de água para refrescar o calor que sentia. – Não sou pervertida como você.
- É mesmo? – ele perguntou divertido. – Em que estava pensando, então?
- Na nossa filha, que ainda não tem um nome, porque não escolhemos nada juntos.
- Pensou em algum em específico? – ele perguntou, acariciando os dedos dela. – Os únicos nomes de mulher que eu consigo pensar, é o seu e o da minha mãe.
- Aurora é um nome muito bonito, mas talvez possa deixar os seus irmãos desconfortáveis.
- Não tinha parado para pensar nisso. Mas você tem razão, isso pode ser difícil principalmente para o Alberto, que nunca pode conviver com ela.
- Sim. – ela observou seu olhar nostálgico. – Gosto muito de Maya.
- Maya? – ele pareceu pensar, e depois sorriu. – É um nome bonito e ao mesmo tempo forte.
- Você gostou?
- Sim. Então nossa filha vai se chamar Maya, e vai ser tão bela e brilhante quanto a mãe dela.
- Ícaro! – ela o advertiu, sentindo o rosto em chamas. Um garçom estava passando perto deles, ele poderia ouvir aquelas palavras obscenas.
- Você ouviu isso, Maya? Sua mãe quer me proibir de falar o quanto eu gosto de fazer amor com ela.
- Por que está dizendo isso para nossa filha? – Amélia ralhou, levando as mãos ao ventre. – Não pode dizer essas coisas para uma criança!
- Tenho certeza que ela concorda comigo.
- Em que?
- Que nem sempre consigo fazer o cara decente quando estou perto de você. Eu te quero o tempo todo. – Ícaro mergulhou nos olhos dela, transmitindo seus sentimentos. – Mesmo que estivesse tentando ser cauteloso, eu não conseguia resistir em te pegar no escritório.
- Sem vergonha. – ela retrucou de cara amarrada.
Mas dentro de si, um sorriso vitorioso se instalou, totalmente satisfeita. Ele se conteve da mesma forma que fazia quando estava em casa, mas lá na atmosfera do escritório, onde era “proibido”, sentia que ele desfrutava mais daquele momento em que seus corpos se fundiam num ritmo rápido, mas bem leve e gostoso.
Isso gerou uma ideia na mente de Amélia. Ela precisava mostrar para o homem que amava, que ela era a mesma mulher que ele quis tomar como sua submissa; que ela desejava tanto quanto ele, se render ao prazer do amor e da luxúria.

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