Ícaro
Olhando para o rosto inchado de tanto chorar, ele pensou que daria qualquer coisa para nunca mais ver a mulher que amava, destruída dessa forma.
- Esse é o motivo que te levou aquele lugar, vestida daquele jeito? – ele perguntou tenso, acariciando as costas marcadas de sua mulher.
- Sim. Ele me disse que eu deveria descer e entreter seus sócios, que ninguém me reconheceria por causa da máscara, portanto ele não seria envergonhado. Fernando afirmou que eu nunca tinha pago por nada que ele me deu, e que aquele era o momento de retribuir.
- Sempre me perguntei por que aquele arrombado do caralho mandou a própria esposa vestida como prostituta se oferecer para outro homem.
- Bem... eu acho que a intenção dele era me humilhar ainda mais. Assim que eu desci, ele veio até onde eu estava me escondendo, ficou esperando que eu agisse como as acompanhantes. Como eu não consegui, ele analisou o salão e escolheu o homem que parecia mais desinteressado em ter companhia. Você.
- Estava ali por outros motivos.
- Sim, você me disse que estava procurando pistas da sua esposa desaparecida, e que ela foi vista saindo de uma das festas.
- O desgraçado mandou você me seduzir. – constatou Ícaro.
- Ele tinha certeza que eu não seria capaz. Por isso me deu um ultimato. Ou eu dormia com você, ou seria o “prêmio” dos sócios naquela noite.
- Eu vou quebrar todos os ossos do corpo dele, vou fazer ele desejar pela morte e acreditar que será recompensado com ela, para logo depois recomeçar a destruí-lo parte por parte enquanto aprecio seus gritos de dor. – sibilou entre dentes.
Assustada com o rompante furioso, ela se calou, levando as mãos ao peito. Seus olhos aflitos brilhavam na noite.


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