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A Estagiária Gordinha do CEO romance Capítulo 14

Amélia

Amélia já tinha amaldiçoado os sapatos de salto uma centena de vezes, infelizmente era necessário aguentar aquele incomodo.

Olhou para a fachada do prédio sentindo um misto confuso de emoções. Desde que parou ali na calçada, não conseguia parar de admirar a riqueza de detalhes daquele lugar, o prédio chamava atenção por sua singularidade despretensiosa e elegante desde o exterior.

A Acrópole é sinônimo de inovação, requinte e sofisticação.

“Por que eu estou aqui?” Se perguntou, pela enésima vez.

O motivo que a levou a esse momento, deveria se parecer com uma coincidência feliz. Mas somente uma idiota acreditaria nisso.

Na última aula, o professor designado como seu orientador de TCC, pediu que ficasse um pouco mais para conversarem. Imaginou que o assunto seria as últimas modificações em sua tese, mas o que ele disse deixou Amélia sem palavras por um tempo.

Segundo ele, o perfil acadêmico dela foi indicado para preencher uma vaga júnior na maior Holding de arquitetura da América Latina, a Acrópole.

O nome da empresa trouxe a imagem de Ícaro Darius a sua mente, nítido como se pudesse tocá-lo. Ele estava envolvido nisso? Se sim, por que?

Entretanto, estava desempregada e sem nenhuma perspectiva em trabalhar na área da arquitetura. Poderia se dar ao luxo de recusar a proposta? Sim, ficar longe daquele homem seria o mais sensato a se fazer.

Esse emprego poderia ser uma armadilha para ridicularizá-la, ou pior; Ícaro pode ter descoberto sua verdadeira identidade e estava agindo em favor de Fernando.

Mas Sam se mostrou mais racional do que ela nesse assunto.

“Você está sendo absurdamente paranoica! Você pode nem chegar a ver Ícaro Darius na Acrópole. Os funcionários juniors geralmente ficam na criação de projetos em empresas assim.”

“E por que diabos, esse homem iria planejar uma coisa dessas só para contratar uma mulher que ele atropelou? Não faz sentido, Mel”

Parando para pensar, a culpa era de Samanta. Foi ela quem a convenceu a vir a essa entrevista, e agora não tinha certeza de mais nada.

Deveria entrar, ou não?

Talvez essa fosse a oportunidade de deslanchar na sua carreira, estava insegura e hesitante, mas também confiante que poderia ir embora no momento que sentisse qualquer ameaça a sua paz.

Com passos firmes, adentrou o prédio, em direção a recepção da Acrópole. Assim que adentrou o hall, ficou deslumbrada com o estilo moderno combinando harmoniosamente com a arquitetura renascentista, se unificando perfeitamente criando um estilo único e sofisticado.

Imaginava com um misto de curiosidade e ansiedade, como seriam os andares restantes. Se identificou na recepção, e pegou a identificação de visitante.

Aguardava ser chamada para a entrevista enquanto ponderava sobre sua aparência, que já foi avaliada antes mesmo dela entrar ali.

A recepcionista muito arrumada e maquiada a chamava com aquele olhar indulgente, que ela estava acostumada a receber de muitos lugares que já tinha passado.

- Sim, sou eu.

- Siga-me à sala de conferência por favor.

Enquanto seguia a moça pela escada de mármore branco ponderava novamente se deveria estar ali, depois de tantas recusas já tinha se conformado em tentar trabalhar por conta própria quando se formasse, mas não podia negar que essa era uma excelente oportunidade de carreira.

No fim da escada opulente havia três elevadores de vidro, ela foi guiada para um corredor luxuoso à direita. Sentia-se nervosa, ansiosa e desajeitada quando adentrou uma sala grande com mesa retangular de aço escovado, cadeiras opulentas de couro caramelo e porta alta de vidro.

Tudo aquilo parecia demais, se via sendo avaliada novamente pela sua aparência e sem mérito nenhuma à sua capacitação, nem percebeu que a recepcionista que a conduziu até ali, indicava que ela entrasse na sala, após abrir a porta.

- Entre por favor.

Amélia apertou a alça da bolsa com força para que suas mãos não tremem e entrou na sala olhando para o chão com medo de já entrar tropeçando por causa dos saltos que não tinha o hábito de usar, seria o ápice da vergonha da gordinha deslocada, escancarada para quem quisesse ver.

A porta foi fechada atrás de si e ela levantou a cabeça. Seu queixo caiu, Amélia abriu a boca para cumprimentar quem estivesse ali para entrevistá-la, mas sua voz ficou presa em sua garganta quando viu a figura alta virando-se de frente para ela, fazendo seu coração disparar, cativando aqueles olhos de prata profundos.

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