Amélia
- Até quando vai levar essa história em frente? Você não é avestruz para enfiar a cabeça num buraco quando é ameaçada! – mais uma vez Guilherme pontuava sobre a atitude que tomou ao fugir de São Paulo.
Ele a ajudou em tudo, como prometeu anos atrás. Mas agora que sabia como ela esteve vivendo, não concordava com a atitude dela.
- Como estão as crianças? – perguntou ignorando completamente o que ele disse.
Guilherme tinha acabado de chegar para mais uma de suas visitas de checagem. Era tão gentil e prestativo que além de trazê-la para esse lugar, ainda arranjou uma casa para ela ficar e um emprego em uma padaria.
Todo fim de semana ele pegava o carro e dirigia por horas somente para ver como as coisas estavam. Amélia disse várias vezes que não precisava, mas ele insistia, porque sabia que tipo de monstro estava atrás dela.
Serviu uma caneca de café para ele. Gui bufou irritado, e se sentou a mesa de madeira gasta com um pequeno arranjo de girassois frescos.
- Eles estão bem, a Priscila quem está me enlouquecendo.
Amélia riu de seu amigo. Por mais que falasse da esposa como se ela fosse uma megera, ele a amava profundamente. Se sentia feliz por ele ao saber que ele reconstruiu sua vida depois do término trágico com Sam.
- O que ela quer dessa vez? – perguntou, enquanto servia um bolo de fubá, feito na padaria em que trabalhava.
- Ela quer a porra de um cachorro. – ele balançou a cabeça em negação. – Um cachorro, Mel. A porcaria de um cachorro que vai destruir a casa inteira que eu acabei de reformar.
- Sabe que não tem como ganhar essa briga, não é? – ela perguntou, se sentando de frente para ele e esticando seus pés inchados.
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