Ícaro
O escritório do tríplex se tornou a base de operações e o seu quarto. Havia uma infinidade de papeis espalhados sobre a mesa, três computadores a mais, um quadro de vidro repleto de fotos de Amélia, das câmeras de segurança, de quem saiu e quem entrou naquela noite.
Registros dos funcionários do condomínio, turno dos seguranças, placas de carro dos moradores.
Encarou tudo à sua volta, afundando na poltrona.
Tudo isso foi inútil.
A cada nova possibilidade, seu coração se enchia de esperanças só pra se arrebentar mais uma vez num beco sem saída.
Ele perdeu a cabeça várias vezes ao longo dessa semana sem nenhuma notícia de sua mulher. Gritou, rugiu e socou a cara de seus irmãos.
E quase matou aquele desgraçado com seus próprios punhos. Ícaro não se importou com as consequências que estava enfrentando. Foi acusado de agressão e tentativa de homicídio em um processo que corria em segredo de justiça.
Seus advogados estavam resolvendo tudo isso com uma estratégia apresentada por Alberto.
Tanto ele quanto Vitório enlouqueceram quando souberam do que ele fez com o canalha. Mas Ícaro não se importava com isso, fez o que tinha que fazer e não se arrependia de absolutamente nada.
Ficou evidente que o desgraçado não estava com Amélia. Alberto também afirmou com veemência que não tinha a menor possibilidade do envolvimento de Fernando no sequestro.
Quando questionado sobre essa certeza, seu irmão disse que deveria confiar nele, e que estava cuidando de tudo. Eles discutiram feio, e depois disso ele sumiu, sem responder as mensagens, sem atender as ligações.
Ícaro estava tentando manter a sanidade, mas a cada dia que passava sem Amélia, sentia que algo terrivelmente perigoso estava emergindo de dentro dele.
Bebeu até perder a consciência naquela mesa. Não conseguia comer e nem dormir pensando no que Amélia estava passando. Se sentia inútil, incapaz de proteger a pessoa mais importante de sua vida.
Para piorar toda essa merda, havia a porra de uma mulher que se mudou para o condomínio que não parava de aparecer na sua porta. Perdeu a conta de quantas vezes mandou ela sumir de lá, abandonando completamente a cordialidade das primeiras vezes.
Já passava das oito da noite e mais uma vez alguém estava batendo a porta. Ícaro abriu o monitoramento das câmeras. Era ela de novo, a maldit@ mulher que vinha incomodando todos os dias.


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