A mulher suspeita bebericou sua taça de champagne, e levantou os olhos lentamente na direção dele.
- Na verdade, é ela quem nos agracia com sua jovialidade. Sua esposa é belíssima como uma pintura– os olhos dela cruzaram os dele, de um intenso verde escuro.
Vitorio enrijeceu completamente, a sensação esmagadora de apertar seu coração, drenando completamente suas forças. Essa mulher... essa desconhecida...
As outras se calaram apreciando a cena desconcertante. Antonela falava com Lucila por língua de sinais. “Você tem que contar para ele o que ela fez, tem alguma coisa muito estranha nessa vadia”
- É um grande prazer, Sr. Darius. – ela estendeu a mão, com um sorriso sedutor.
Vitorio sentiu como se o tempo tivesse parado. A voz dela ressoou em seus ouvidos como um eco distante, quase irreal, enquanto seu peito se contraiu num aperto cruel.
Ele não conseguia se mover, não conseguia respirar. O ar ao seu redor parecia rarefeito, e tudo ao seu redor se tornou um borrão insignificante.
Apenas aqueles olhos... aqueles olhos verdes escuros o encaravam, reabrindo feridas que ele sabia que nunca se fechariam, elas eram a lembrança constante do seu maior pecado.
Era impossível. Astrid não tinha aquela aparência.
Ele conhecia cada detalhe do rosto e do corpo dela. E, no entanto, ali estava aquela mulher, uma estranha, com o mesmo olhar que um dia o havia incendiado todos os seus princípios, seu respeito, e depois o reduzirá a cinzas de ódio e desespero.
Seus dedos formigaram, como se seu corpo inteiro protestasse contra a simples visão daqueles olhos. O coração martelava contra as costelas, e sua mente se dividia entre uma necessidade irracional de estrangular essa mulher, e o impulso de confrontar aquela aparição fantasmagórica.
A mão dela ainda estava estendida, aguardando o aperto dele. O sorriso sedutor brincava nos lábios da desconhecida, mas Vitório não via beleza, nem encanto.
Via um abismo.


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