Fernando
- Já descobriu o que a minha mulherzinha está fazendo de volta a São Paulo? – perguntou sem se voltar para o seu secretário.
O trabalho estava um caos essa semana, e quanto mais delegava suas funções, mas coisas inúteis apareciam como ofícios aumentando suas pilha de documentos não analisados.
- Por enquanto não houve nenhuma ação suspeita, senhor. – o homem verificou os papeis em sua mão. – Ela está ficando em um flat alugado próximo a avenida paulista. Faz compras, e janta no mesmo bar todas as noites.
- Se encontrou com alguém? – perguntou, assinando seu último ofício do dia.
- Não. Nem mesmo o ex-marido.
- E quanto ao meu filho, onde ele está?
- Ainda não sabemos, senhor. – o homem respondeu vacilante.
Fernando levantou a cabeça, encaixando o queixo entre as duas mãos.
- Como não sabe? – ele sorriu perigosamente. – Ela saiu de casa levando o meu filho.
- A criança não está com ela, senhor. Nós já verificamos.
- Eu não vou precisar te ensinar como fazer o seu trabalho, certo? – perguntou num tom baixo, ameaçador.
- Não, senhor. Eu... vou agora mesmo verificar novamente.
- Volte somente quando tiver as respostas que eu quero ouvir.
- Sim, senhor.
A porta se fechou, o deixando sozinho com seus pensamentos.
Astrid era ardilosa, ela não estava naquela cidade por acaso, a birra era só uma cortina de fumaça. Ela estava tentando voltar para Ícaro Darius, depois que percebeu que ele não cederia aos seus caprichos e chantagem.
Foi por isso que ela levou Olavo com ela, e estava escondendo o garoto.
A criança era o instrumento de conquista que usaria para se aproximar novamente daquele desgraçado.



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