Família Queiroz.
Sala de descanso, terceiro andar.
Assim que Lucas chegou, Eliseu fez questão de convidá-lo pessoalmente para uma conversa. Juntaram-se a eles alguns outros senhores de famílias amigas de longa data.
Eliseu comentou que nos últimos tempos a relação entre as duas famílias havia esfriado um pouco, por isso resolvera reunir pessoas conhecidas para conversar e promover uma reconciliação. Pediu a Lucas que não guardasse ressentimentos pelos desentendimentos recentes e expressou o desejo sincero de que as famílias voltassem a se relacionar como antes.
Como Eliseu era um verdadeiro ancião, Lucas não pôde deixar de mostrar algum respeito.
Depois de algumas taças de vinho, Lucas começou a se sentir levemente embriagado. Nesse momento, Eliseu e os demais se levantaram para descer. Alguém perguntou a Lucas se ele queria acompanhá-los.
Eliseu respondeu: "Pelo jeito, Lucas ainda precisa descansar um pouco."
Lucas também não contestou, apoiou o queixo com a mão e assentiu: "Os senhores podem descer, vou descansar um pouco antes de ir para casa."
"Mas já vai embora tão cedo?"
Lucas curvou levemente os lábios num sorriso discreto e respondeu: "Tem alguém me esperando em casa."
Alguém logo caiu na risada, brincando: "Quem diria, Lucas, nunca imaginei ver esse dia chegar!"
Todos os outros saíram, deixando a sala de descanso em silêncio.
Lucas recostou-se no sofá e fechou os olhos para relaxar.
De repente, a porta da sala foi aberta suavemente.
Alguém entrou, movendo-se com muito cuidado.
— Lourdes.
……
Manuela estava lendo no escritório e, sem perceber, mais de uma hora se passou.
Ela desceu as escadas e perguntou sobre Lucas. Ao saber que ele ainda não havia voltado, franziu os lábios, demonstrando certo descontentamento.
Pegou o celular e ligou para Lucas, mas ninguém atendeu.
Na mesma hora, franziu as sobrancelhas.
Custódio mostrou-se um pouco decepcionado: "O Irmão Lucão? Realmente o vi há pouco, mas o lugar é enorme, não sei onde ele está agora."
Manuela respondeu: "Então vou entrar e procurar por conta própria."
Dizendo isso, contornou Custódio e entrou sem hesitar.
Custódio a acompanhou calmamente, sem pressa.
Nesses últimos tempos, ele vinha se tratando com afinco, e seu jeito mancando já não era tão perceptível quanto antes.
Quando Manuela estava quase entrando no salão de festas, ele a impediu.
"Manuela, faz tanto tempo que não nos vemos, senti sua falta. Me conceda um momento para conversarmos, por favor?"
Apesar das palavras educadas, logo surgiram vários homens fortes vestidos de preto, cercando Manuela e seus acompanhantes.
O sorriso de Custódio era encantador enquanto fitava a jovem à sua frente. "Eu prometo, me dê meia hora e depois eu mesmo a levarei para ver o Irmão Lucão."
Os olhos de Manuela se estreitaram, tornando-se de repente frios e afiados.

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