Manuela, no entanto, sabia que ele tinha consciência da delicadeza de sua própria situação e apenas evitava se aproximar para não incomodar os outros.
Ela sentiu uma leve compaixão por ele, mas não o desmascarou; apenas mandava que lhe enviassem as refeições.
Quando chegou a hora do jantar, ela sentou-se ao lado de Lucas.
Lucas olhou para o lugar ao lado dela e, de repente, perguntou: "Cadê o Mário?"
Assim que a pergunta foi feita, todos olharam surpresos em sua direção.
Todos sabiam que Mário agora morava ali. Embora Patrícia fosse desagradável, Manuela e ele tinham uma boa relação atualmente, e como o garoto era calado e não causava incômodos, ninguém fazia muitos comentários, em respeito a Manuela.
No entanto, todos concordavam que Mário não viesse comer à mesa. Afinal, com aquela origem... Se ele aparecesse abertamente no jantar, não seria como um tapa na cara de Lucas?
Ninguém esperava que fosse justamente Lucas quem tomasse a iniciativa de mencioná-lo!
Manuela também ficou um pouco surpresa. Ela explicou: “O Mário disse que prefere ficar sozinho. Por isso mandei levar a comida para o quarto dele.”
“Que absurdo," Lucas respondeu com um tom frio, demonstrando certo desagrado. “Mande-o vir aqui.”
A frase seguinte foi dirigida aos funcionários.
O empregado prontamente obedeceu.
Pouco depois, trouxe Mário até a sala de jantar.
Mário não entendia o que estava acontecendo; apenas ouvira do funcionário que tinha sido Lucas quem mandara chamá-lo. Ao perceber o clima estranho na mesa e ver o rosto impassível de Lucas, seu coração ficou um pouco apreensivo.
Ele se aproximou. “Irmão.”
“Já que veio, sente-se,” Lucas levantou os olhos e lançou-lhe um olhar. “Com tantos mais velhos aqui, ainda precisa que alguém leve a comida até o seu quarto? Onde ficou sua educação e boas maneiras?”
O clima durante o jantar foi bastante estranho, exceto pelo Velho Senhor, que manteve a expressão inalterada do início ao fim, sem comentar em absoluto sobre a atitude do neto.
Após o jantar, Manuela imediatamente puxou Lucas para um canto.
“Amor, por que você fez aquilo agora há pouco?”
Ela temia que trazer Mário de volta tivesse aborrecido Lucas, e o olhava cautelosamente.
Lucas recostou-se relaxadamente no sofá e a puxou para o colo, sem deixar transparecer qualquer emoção. “Por quê? Você não gostou do que eu fiz?”
“Não, não!” Manuela balançou a cabeça depressa, observando atentamente sua expressão. “Só estou um pouco confusa…”
“E se eu tivesse ficado incomodado, o que você faria?” Lucas passou o polegar pela face lisa dela, olhando para baixo com um olhar indecifrável.
Manuela ficou um instante sem reação, franziu a testa com certa angústia e, sem hesitar muito, respondeu: “Se você não gostasse, claro que eu pediria para o Mário ir embora. No fim das contas, ele não mora aqui mesmo, e isso não afetaria nossa amizade.”

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