Manuela viu que não tinha espaço para se manifestar e recostou-se, observando tranquilamente a Velha Senhora repreender.
“Seus pais realmente passaram dos limites. Quando voltar, diga a eles que nossa Manuela não vai aceitar um pedido tão absurdo. Já que convidaram o velho Sr. Quintana e ele já aceitou, não há por que desrespeitar assim o senhor.”
“Se fizerem isso de qualquer jeito, além de ofenderem o velho Sr. Quintana, ainda podem prejudicar a relação entre nossa Manuela e a professora dela. Como isso seria aceitável?”
Ao ver Lourdes mordendo os lábios, com expressão de injustiça, a Velha Senhora suspirou de novo e disse com voz suave: “Lourdes, não fique chateada. Minha bronca não é com você, é com seus pais irresponsáveis. Volte e transmita minhas palavras a eles, diga que fui eu quem falou, está bem?”
“...Está bem, vovó, então vou indo.” Lourdes manteve o porte elegante ao se levantar, mas seu sorriso estava ainda mais forçado do que antes.
A Velha Senhora assentiu com carinho. “Está bem, pode ir.”
Lourdes foi acompanhada até a porta por uma empregada.
Só então Manuela se endireitou, abraçando o braço da Velha Senhora. “Vovó, eu pensei que você gostasse muito dela, sabia? A tia Cecília disse que Lourdes costumava vir sempre te visitar.”
A Velha Senhora lançou-lhe um olhar divertido. “Por mais que eu gostasse, você é sempre mais importante, não? Além disso, isso foi no passado...”
O tom da Velha Senhora tornou-se um pouco melancólico.
Lourdes, aquela menina, ela realmente gostava dela antigamente, percebia até o interesse da garota por Lucas e até pensou em juntar os dois.
Mas depois que Lucas deixou claro que não gostava dela, a ideia foi deixada de lado.
Só não esperava que, depois de tantos anos, Lourdes ainda não tivesse superado. E, mesmo sabendo que Lucas já estava casado, ainda assim se recusava a desistir, sem considerar Manuela. Isso realmente a desagradou.
Manuela ficou grata pelo apoio da Velha Senhora e as duas conversaram afetuosamente.
“Pedir desculpas?”
Talvez por mencionar Manuela, a voz de Lucas demonstrou, ainda que de leve, alguma emoção.
Lourdes esboçou um sorriso amargo. “Talvez por causa do que aconteceu antes, a Srta. Silva ainda guarda mágoa de mim e descontou em minha família. Ela não quer tratar a perna do meu irmão... Irmão Lucão, meu irmão não pode ficar inválido para sempre!”
Ela levantou o olhar, cheia de esperança e súplica, fitando Lucas. “Irmão Lucão, me ajuda, por favor? Peça à Srta. Silva para não guardar mais rancor de mim, peça a ela para aceitar tratar meu irmão. Se ela aceitar, eu faço qualquer coisa, tudo bem?”
Ao ouvir isso, o semblante de Lucas tornou-se ainda mais frio, sem esconder o desagrado.
“Lourdes.” Sua voz agora carregava uma ponta de frieza. “Manuela nunca deveu nada à Família Queiroz. Tratar a perna do Custódio não é uma obrigação dela. Ela já foi consultada, e se não quis aceitar, esse é o resultado final. Não quero mais ninguém da Família Queiroz incomodando Manuela!”

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