Manuela não soube como responder.
Ela, de fato, detestava Patrícia, e sequer gostava de Rodrigo.
Mas, diante daquele jovem à sua frente, nunca conseguia sentir aversão.
Ela não respondeu à pergunta, apenas disse: “Acabou, se não houver mais nada, vou indo.”
De repente, lembrou-se de algo e perguntou: “Ah, eu pedi para você anotar as mudanças no seu corpo depois de tomar o remédio, você anotou?”
Vendo que ela não respondeu, Mário também não insistiu. Ele assentiu: “Anotei, vou pegar para você.”
Ele se virou e foi para o quarto. Manuela lançou um olhar e, através da porta aberta, viu que o quarto do rapaz era extremamente simples: além de uma cama, havia apenas uma escrivaninha com um computador ligado em cima, e nada mais decorava o ambiente.
Não sabia se Rodrigo não havia notado isso, ou se era Mário mesmo quem não gostava de nada complicado.
Pensou que Rodrigo havia se mudado para aquele andar especialmente por causa da doença do filho, o que mostrava que ele realmente dava importância a esse filho. Por isso, ela suspeitava que a simplicidade vinha do próprio Mário.
Mário trouxe um caderno; ela o abriu casualmente e se deparou com uma caligrafia firme, bem diferente do jeito reservado do rapaz.
Ela imaginava que ele fosse preferir registrar tudo no celular e então enviar para ela, mas, para sua surpresa, estava tudo manuscrito.
Manuela fechou o caderno. “Então, vou indo. Quando chegar a hora, volto.”
Mário apenas assentiu e ficou parado à porta, em silêncio, observando sua saída.
Ao saber que Rodrigo se “recuperou” logo após se separar de Patrícia, Manuela ficou sem palavras.
Ela suspeitava que Rodrigo tivesse feito tudo de propósito, testando o caráter de Patrícia, embora não houvesse provas — mas agora, parecia que ela estava certa.
Ao se interessar pelos assuntos da família de Patrícia, Manuela acabou sendo notada pelos membros da Família Almeida. Numa noite de jantar em família, com todos presentes, tia Laura perguntou sobre o assunto.
Manuela franziu a testa e, instintivamente, olhou para sua sogra, Fernanda Queiroz.
Não havia nada de errado em mencionar a família de Patrícia, mas falar disso na frente de Fernanda não parecia apropriado. O que Laura estava pensando?
Percebendo o olhar preocupado de Manuela, Fernanda sorriu e, sem demonstrar incômodo, disse: “Se sua tia Laura está tão interessada, conte a ela, sim, não há nada que precise ser escondido.”

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