Patrícia também continuou absorta.
Durante tantos anos, ela suportou tantas humilhações, tudo por quê? Não foi por status e dinheiro?
Mas agora, Rodrigo tinha rompido com a Família Almeida e, além disso, tornara-se alguém sem nada, completamente falido. Então, no final das contas, o que ela havia planejado durante todos esses anos?!
Os três estavam todos de ânimo pesado, como se tivessem perdido um ente querido. Apenas Mário, sentado à janela, lançara-lhes um olhar no início e, em seguida, não demonstrara mais nenhuma emoção em seu rosto. Com o queixo apoiado na mão, sob a luz do sol, seu rosto estava tão pálido que quase parecia translúcido. Ele olhava para fora da janela, sem que ninguém soubesse no que pensava.
Família Almeida.
Manuela, por outro lado, estava de ótimo humor. Pediu a uma das empregadas que lhe trouxesse um docinho e, ao mesmo tempo, fez uma ligação, ordenando que vigiassem a família de Patrícia.
Enquanto ela falava ao telefone, Lucas estava ao seu lado.
Assim que ela desligou, ele a puxou para o seu colo. "Por que quer que fiquem de olho neles?"
As pernas de Manuela balançavam suavemente no ar enquanto ela, contente, pegava uma colherada do bolo. "Porque quero ver, sem dinheiro e sem poder, quanto tempo ainda vai durar o ‘amor’ dela."
"Aquela Sra. Patrícia não vive dizendo que é tudo mal-entendido, que os outros a julgam mal? Pois agora, chegou a hora de provar. Vamos ver se realmente a julgamos errado ou não!"
Lucas sorriu com indulgência e, com a mão, limpou um pouco de creme que ficara no canto de sua boca.
Vale mencionar que, depois de Rodrigo, César também se mudou da Casa Antiga dos Almeida. Diferente de antes, quando resistia a sair com toda a razão, agora parecia ter pressa em ir embora.
Matheus ficou muito insatisfeito com isso, achando que Lucas havia ameaçado seu filho. Diante de toda a família, ele questionou em voz alta: César era seu sangue, ele mesmo o trouxera para casa, por que não poderia morar na casa antiga?
Naquele momento, Lucas sequer respondeu; apenas levantou friamente o olhar. César imediatamente se levantou e, em alto e bom som, declarou:
"Pai, eu sei que o senhor se preocupa comigo, mas eu sou só um filho fora do casamento, como poderia morar na casa da família?"
"Além disso, antes o senhor insistia que filho fora do casamento também tinha direito à herança, que a minha parte não podia ser tomada. Mas pensando bem, isso não faz sentido! Embora a lei diga isso, é um absurdo!"
"Eu já posso viver melhor do que muitos só com a mesada que o senhor me dá. Isso já é um favor da Família Almeida. Como eu poderia, sem vergonha alguma, continuar a disputar por patrimônio?!"
De onde vinha aquela confiança dele, achando que poderia vencer aquele homem frio e implacável?!
Manuela estava apoiada na grade da varanda do terceiro andar, assistindo César correr apressado com a mala, chegando a tropeçar no meio do caminho. Sem entender, ela se virou e perguntou: "Você fez alguma coisa, meu bem? Por que ele ficou com tanto medo?"
Lucas respondeu calmamente: "Talvez seja só covardia dele."
Mudou de assunto: "Vou sair um pouco, Manuela, quer ir comigo?"
"Vai fazer o quê?"
"Um jantar de negócios."
Manuela balançou a cabeça. "Então não vou."
Ela o abraçou. "Volte cedo!"

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