De repente, ela se sentiu eufórica por dentro e agarrou o braço de Rodrigo. "Rodrigo, nós—"
"Fernanda!"
A voz alegre foi abruptamente interrompida, e Patrícia virou-se, apenas para ver que o homem por quem suspirava, naquele momento, reagia de forma totalmente diferente dela.
Rodrigo já tinha deixado Patrícia completamente de lado, fixando Fernanda com um olhar carregado de raiva, choque e certa confusão.
"Fernanda, você tem certeza de que quer se divorciar?!" Ele olhou para a esposa, contendo a raiva.
Fernanda, por sua vez, manteve a calma; olhou tranquilamente para aquele homem com quem crescera e a quem amara por tantos anos.
"Sim, você vai conseguir o que tanto queria, não está feliz?"
Ela consultou o relógio de pulso. "Não tenho muito tempo, vamos agora mesmo!"
Essa atitude decidida deixou todos atônitos.
A Velha Senhora, com o rosto cansado, falou irritada ao filho: "Vá! Vá se divorciar! Depois de divorciado, também não volte mais, case com quem quiser, não sou mais capaz de controlar você!"
Dizendo isso, acenou com a mão e pediu que a ajudassem a ir descansar.
O Velho Senhor suspirou e, com um tom de desalento, disse a Rodrigo: "Você quis casar com a Fernanda, foi você quem insistiu naquela época. Se eu soubesse que você trataria as coisas assim, nunca teria ido à Família Queiroz interceder por você. Assim, os laços entre as famílias não teriam chegado a esse ponto!"
O Velho Senhor também se levantou e foi embora.
Rodrigo permaneceu imóvel no mesmo lugar.
O sorriso no rosto de Patrícia tornou-se forçado. Ela, atordoada e sem saber o que fazer, olhou para o homem ao seu lado, com um olhar que parecia dizer que ele era todo o seu mundo. "Rodrigo..."
Ela não era cega. Sempre pensou que Rodrigo já era dela, e que Fernanda apenas mantinha um título de esposa que já não fazia sentido.
Mas agora, percebeu que, talvez, a realidade não fosse bem essa...
O próprio Rodrigo ficou surpreso e olhou para Manuela.
Então Manuela perguntou: "Pai, se vocês vão se divorciar, como vão dividir os bens?"
Sem esperar a resposta de Rodrigo, ela continuou calmamente: "Eu sei que pela lei tudo é dividido meio a meio, mas isso não parece um pouco injusto? Afinal, o senhor é a parte culpada no casamento."
Ela lançou um olhar significativo para Patrícia. "Desculpe a ousadia, mas, originalmente, se você e minha mãe continuassem juntos, tudo o que você tem acabaria, no futuro, nas mãos do meu marido. Mas agora, o senhor acabou ficando com dois 'filhos' e uma 'filha' fora do casamento..."
Ela perguntou, com sinceridade: "O senhor não vai usar os bens que originalmente pertenciam ao meu marido para sustentar essas pessoas, não é?"
"Embora seja tudo propriedade sua e o senhor tenha o direito de decidir como dividir, como esposa do único filho legítimo, não posso deixar de me sentir mal..."
Todos, ao ouvirem isso, olharam para Manuela com surpresa e estranheza.
Apesar do pouco tempo de convivência, já era possível perceber que Manuela não era uma pessoa mesquinha ou gananciosa; por que estaria sendo tão calculista justamente agora?

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