Nem falando da atitude da Velha Senhora, só por causa do Lucas, que estava atrás da Manuela, quem ousasse provocá-la estaria praticamente pedindo para morrer, não?
Diante das palavras calorosas de todos, Manuela também respondeu a cada um de forma generosa e cordial.
Depois do almoço, ela olhou as horas e estava prestes a ir até a sede do Colégio Médico Nacional para se apresentar, quando Jorge Guedes ligou de repente, dizendo que precisava falar com ela com urgência.
Manuela refletiu por um instante; a apresentação não era tão urgente assim, então aceitou o convite de Jorge primeiro.
Uma hora depois.
Assim que entrou no reservado, Manuela viu Jorge com o rosto carregado de preocupação, o sorriso habitual agora frio e distante.
Ela arqueou as sobrancelhas. "O que aconteceu?"
Ao vê-la, Jorge pareceu relaxar um pouco, mas não disse muita coisa, apenas jogou para ela um pequeno saquinho. "Veja para mim se o que está aqui dentro tem alguma relação com a minha ‘doença hereditária’."
Ao falar "doença hereditária", ele rangeu os dentes de raiva.
Manuela aproximou o saquinho do nariz, cheirou, e seus olhos se estreitaram de imediato.
"Tem tudo a ver. Se eu não estiver enganada, foi justamente por ter ingerido isso por engano que você teve aquela ‘doença hereditária’."
Ela levantou os olhos e olhou para Jorge, que estava largado na cadeira. "De onde você conseguiu isso?"
Jorge já tinha ficado paralisado na cadeira no momento em que ouviu a resposta, o rosto pálido e sombrio.
Ele fechou os olhos, desanimado.
"Encontrei em casa, depois que voltei."
Antes, ele ainda alimentava uma última esperança, achando que talvez fosse alguém de fora tentando prejudicá-lo. Só em último caso ele pensaria em desconfiar de alguém da própria família.
A noiva também estava sempre em sua casa; embora ainda não fossem casados, a Família Guedes já a considerava praticamente parte da família.
Todos eram pessoas queridas, pessoas importantes para ele. Em quem ele deveria desconfiar?
Por mais que não quisesse admitir, o fato era que o objeto tinha sido encontrado em casa.
Jorge parecia devastado, mas Manuela continuava calma. Ela perguntou como quem não queria nada: "E aquele sachê que sua noiva te deu? Você chegou a perguntar para ela?"
Jorge hesitou e respondeu: "Acho que foi só coincidência. Clarice sempre gostou dessas coisas, ela adora aquele sachê e já usa a mesma receita há anos."
"Talvez eu tenha tido azar, quem poderia imaginar que justamente os ingredientes daquele sachê fariam mal para a minha condição?"
Coincidência?
Manuela esboçou um sorriso de canto de boca, e ao lembrar do trágico destino de Jorge em sua vida passada, não pôde evitar que o olhar se tornasse compassivo.

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