Gustavo sorriu e acenou com a mão: "Aí você se enganou. A pessoa de hoje, essa você realmente não conhece!"
Essas palavras deixaram Clara ainda mais insatisfeita. Entre as pessoas da mesma geração no meio, haveria alguém que ela não conhecesse?
"Agora fiquei curiosa. Será que posso ficar para conhecer essa ilustre convidada do Prof. Quintana?"
Gustavo respondeu com cordialidade: "Fica para a próxima. Minha convidada é muito discreta, talvez não queira conhecer pessoas de fora. Depois vou perguntar a ela, se ela quiser, eu apresento vocês."
Clara só pôde expressar seu pesar.
Já havia feito tantos pedidos para ser aceita como discípula, mas Gustavo nunca cedeu, nem parecia levar em conta sua fama de prodígio. Agora, entretanto, ele dava tanta importância a outra pessoa. Não pôde evitar sentir-se incomodada.
Esses repetidos sentimentos de insatisfação e desconforto foram se acumulando, e, quando finalmente saíram da residência da Família Quintana, seu semblante já estava visivelmente fechado.
Alexandre conhecia bem o orgulho de sua aluna, e também sentiu compaixão por ela. Imediatamente procurou confortá-la: "Que prodígio o quê! Entre os jovens do nosso meio, existe alguém mais talentosa que você? Para mim, Gustavo só não quer aceitar você como discípula, por isso inventou uma desculpa para nos despachar. Não se preocupe com isso."
Ouvindo isso, Clara também passou a acreditar, mas, ao pensar em todas as tentativas frustradas de ser aceita como discípula, sentiu-se derrotada e irritada, além de um pouco aborrecida.
"O que mais preciso fazer para que ele me aceite? Considero minhas habilidades superiores às de qualquer um. Mesmo assim, não sou digna de ser discípula dele?"
Alexandre respondeu: "Se você não é digna, então quem seria? Não duvide de si mesma, seu talento é incomparável. Acho que Gustavo deve ter outros motivos para não aceitar, vamos tentar mais uma vez."
Com todo o consolo de Alexandre, finalmente o humor de Clara melhorou um pouco.
Um traço de desprezo e desdém passou pelo olhar de Clara.
Depois de conhecer a vida em Capital, ela achava que Vila do Sol não era nada, praticamente igual ao interior. Mas, para alguém como Manuela, que nunca viu o mundo, talvez aquele lugar fosse considerado luxuoso.
Sentindo-se superior como Lourdes, Clara sorriu e comentou com Alexandre em tom de brincadeira: "Falando na Manuela, o senhor lembra dela, né, professor? O senhor também foi professor dela. Ontem ouvi meus pais comentando que, lá em Vila do Sol, Manuela ganhou até fama de prodígio."
Ao ouvir aquilo, Alexandre franziu as sobrancelhas, demonstrando evidente desagrado. "Eu não conheço o nível dela? Se ela tivesse um mínimo de talento, eu jamais teria desistido dela. Prodígio? Ela ainda tem coragem de se chamar assim!"
Balançou a cabeça e resmungou: "Só espero que ninguém acredite nela. Se deixarem ela tratar alguém, não sei quantas pessoas inocentes podem acabar prejudicadas!"

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