"Tantos anos e você nunca mencionou que é apenas filha adotiva da Vanessa?!"
"Eu..." Cláudia sentiu tudo escurecer diante dos olhos, quase perdeu o equilíbrio, percebendo que, se não lidasse direito com a situação, tudo o que ela havia construído com tanto esforço naquele círculo social estaria prestes a desmoronar!
Por dentro, o ódio fervilhava; ela queria dilacerar Manuela ali mesmo!
"Eu só me sentia inferior por causa da minha origem..." Ela abaixou a cabeça e falou com amargura.
Inferioridade? Até que fazia sentido, mas—
"As coisas que Manuela acabou de dizer, são verdade? Você realmente fez aquilo?!"
"Claro que não é verdade!" Antes que Cláudia pudesse responder, Elpídio entrou com passos firmes e expressão severa, defendendo sua aluna.
Ele lançou um olhar frio para Manuela e então disse: "Depois de tantos anos de convivência, vocês realmente não conhecem a Cláudia? Com o caráter que ela tem, seria impossível ela fazer tal coisa!"
"Então o que aconteceu hoje também não foi obra da Cláudia?"
"Óbvio que não!"
Nesse momento, Manuela falou calmamente: "Se não foi, por que a Srta. Guimarães está com tanta pressa para sair?"
Ela cruzou os braços, olhando para Cláudia com um sorriso enigmático. "Se você acha que minha suspeita é um insulto, não tem problema. Se daqui a pouco provarem que você é inocente, eu peço desculpas na hora!"
Manuela sempre ia direto ao ponto. Com essas palavras, a justificativa anterior de Cláudia caiu por terra!
Os outros também assentiram, não contendo o senso de justiça: "Exato, se a Cláudia é inocente, então é melhor ficar para esclarecer tudo, assim ninguém mais vai levantar suspeitas no futuro. Isso é melhor para sua reputação."
O semblante de Cláudia ficou tenso, e o suor começou a brotar em suas palmas.
Se ela conseguisse sair agora e eliminar certos vestígios a tempo, a crise estaria resolvida.
Não vai influenciar a investigação? Não era bem assim.
Ela não concordou imediatamente, apenas perguntou: "Posso saber que paciente a Srta. Guimarães vai atender? Na Vila do Sol há tantos médicos, e só você pode ajudar?"
Cláudia sorriu de leve, sentindo-se segura: "É uma menina autista que não confia em ninguém além de mim. Se continuar demorando, eu não posso garantir o que pode acontecer!"
Colocando a situação dessa forma, se Manuela ainda insistisse em impedir a saída de Cláudia, pareceria cruel e insensível.
O que era mais importante: a investigação ou a saúde da paciente?
O ambiente ficou tenso e Cláudia não escondeu um brilho de satisfação nos olhos.
Manuela olhou para ela com calma, prestes a responder, quando Lionel se manifestou de repente—
"Lucão!"

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