No passado, mesmo com grandes problemas, ela nunca conseguia contar com Arthur.
Mas, para Helena, ele sempre atendia. Não importava o clima.
Em comparação, todos aqueles anos de espera pareciam cômicos e baratos.
A segunda vez. Era a segunda vez que ele a deixava na mão debaixo de chuva.
Isabella viu que o rosto dela estava pálido, e continuou a provocar:
— Olha a Helena, como ela e o Arthur combinam. Ela é excelente e apresentável.
— E você? Só tem um rosto bonito. Fica presa em casa, não é nada.
— Se quiser segurar um homem, tem que aprender com a sua irmã, ser excelente...
Beatriz levantou os olhos, interrompendo:
— Uma mulher não se torna excelente para agradar homem.
Ela olhou para Isabella:
— O Arthur não merece isso.
Dito isso, Beatriz não olhou mais para ela, virou as costas e caminhou para o quarto de hóspedes.
Isabella olhou para as costas dela e riu:
— Fala como se fosse durona.
Tenta manter a pose enquanto sofre.
Uma mulher que não segura o casamento não podia ser tão boa assim.
Para Isabella, só uma mulher como Helena era digna de ficar ao lado de Arthur.
Ela teve as vantagens da família Nogueira por anos, mas nem aprendeu tanto quanto Helena.
Era de uma origem pobre mesmo, a genética não muda.
Beatriz não passava de um enfeite desnecessário naquele casamento.
A chuva e o vento ainda batiam no corredor.
Beatriz parou no escuro, fechando os olhos.
Ela não estava esperando uma explicação de Arthur.
Ela só esperava a chance de acabar com aquilo.
Mas aquela noite, ele provou com atitudes...
Que ela não merecia nem que ele chegasse no horário para falar de divórcio.
Beatriz respirou fundo, encarando a realidade.
Já que Arthur foi levar Helena, ele provavelmente não voltaria hoje.
Ele não gostava de dormir na casa antiga.
Beatriz andava exausta, com a saúde fraca e sem descansar direito.
Achou que não conseguiria dormir ali, mas, com o barulho da chuva, caiu num sono profundo.
No meio do sono, um cheiro amadeirado familiar surgiu.
Ela se virou, se aconchegando mais no calor, sem pensar muito.
Até abrir os olhos e travar completamente.
Ela estava nos braços de Arthur. Ele a abraçava forte, numa posição íntima incomum.
O peito de Beatriz apertou. A primeira reação foi empurrá-lo.
Mas o homem, ainda dormindo, apenas franziu a testa, puxou-a de volta instintivamente e chamou:
— Ontem à noite você disse que íamos conversar.
Ela queria acabar com aquilo, estar livre de uma vez.
Não queria perder mais nenhum segundo com ele.
Arthur não respondeu diretamente. Só pegou um documento na mesa de cabeceira, colocou na cama e empurrou na direção dela.
Acordo de Divórcio.
Ele já tinha assinado, um risco limpo.
Beatriz encarou o papel.
Arthur falou calmo:
— O que você sugeriu não é o bastante.
— Este foi feito pelo meu advogado. As condições estão aí.
A frase simples deixava o recado claro.
Ela não merecia o direito de pedir divórcio, nem de dar os termos. Quando e como ia acontecer, era ele quem decidia.
Ele nunca se importou com a vontade dela.
A garganta de Beatriz apertou. Ela achou aquilo irônico e absurdo.
Ela queria um fim limpo, mas ele continuava mandando em tudo. Até o divórcio tinha que parecer uma caridade dele.
Ela guardou a raiva:
— Amanhã às oito, no Cartório de Registro Civil.
Ela não disse mais nada, deu meia-volta e saiu do quarto.

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