— O que aconteceu na porta da vila naquele dia?
Arthur perguntou primeiro. Sua voz era baixa. Não havia preocupação no tom, mas sim cobrança.
— Hugo ligou e disse que você passou mal. Depois, encerrou o assunto sem explicar direito.
Sua postura era superior, como se estivesse lidando com um problema qualquer, em vez de perguntar sobre a saúde de alguém.
Beatriz olhou para ele. Seus olhos estavam vazios. Sem nenhuma alteração.
Ela deu um passo para o lado, tentando desviar dele. — Não foi nada. — Seu tom era frio e distante.
Quatro palavras simples.
Como se a emergência perigosa daquele dia tivesse sido um pequeno acidente.
Arthur franziu a testa e estendeu a mão, bloqueando-a de novo. — Nada? Quem não tem nada fica cheio de manchas, com falta de ar e sem conseguir parar em pé?
Ele ainda se lembrava de algumas palavras desesperadas de Hugo.
— Mesmo se tivesse acontecido algo, não seria da sua conta.
A voz de Beatriz ficou mais fria, criando uma barreira clara. — Meu corpo, meus problemas. Não precisa se preocupar, Sr. Valente.
— Não é da minha conta?
Para ele, Beatriz estava usando as discussões anteriores e um problema pequeno para fazer birra e provocá-lo.
Ele nunca foi bom em lidar com impasses.
— Nossos problemas não foram resolvidos. Que graça tem dizer esse tipo de coisa?
Os dois se encaravam no meio do corredor. O clima ficou tenso.
Funcionários e parceiros que passavam desaceleraram os passos, olhando com curiosidade.
Sussurros baixos começaram, tornando a cena constrangedora.
Naquele momento, uma voz suave veio de trás.
Helena aproximou-se devagar. Sua barriga estava um pouco saliente. Ela andava sem pressa, com um sorriso educado e inocente. Estava acompanhada por funcionários.
Pelo visto, ela também trouxera a equipe da Lumina Inovação para negociar e acabou esbarrando neles.
Ela parou ao lado de Arthur com intimidade. Seu olhar pousou em Beatriz.
Com um sorriso leve, parecia amigável, mas suas palavras atacavam.
— Faz tempo, Beatriz.
Ela respirou fundo e conteve a irritação. Seu rosto não mudou. Não tentou se explicar nem ficou brava.
Qualquer explicação, manipulada pela má-fé da mulher, só faria as coisas parecerem piores.
Arthur, ouvindo Helena e observando o rosto sério de Beatriz, ficou ainda mais impaciente.
Ele teve certeza de que Beatriz guardava rancor das brigas. Estava fazendo aquela cara de injustiçada de propósito.
Ele olhou para Helena. — Não fique em pé por muito tempo se estiver mal. Está cheio de gente aqui, faz mal para você e para o bebê.
Do começo ao fim, ele não perguntou mais nada sobre a saúde de Beatriz, não se importou com a palidez dela e não deu a ela um único olhar de preocupação real.
Para ele, Helena, grávida ao seu lado, importava muito mais do que Beatriz, que ele achava estar dando chilique.
Helena notou a proteção e respondeu com suavidade: — Eu estou bem. Só falei algumas coisas por causa do encontro.
Ela olhou para Beatriz com um sorriso amigável. — Todos somos do mesmo meio. Vamos nos esbarrar. Fazer um escândalo não é bom para ninguém.
— Não concorda?
Beatriz olhou para ela e respondeu de forma calma: — Não tenho intenção de criar caso.
— Estou aqui apenas a trabalho.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Esposa que "Morreu": O Despertar da Obsessão