Antes que Júlia Paiva pudesse entender a situação inteira, a página atualizou e não havia mais nada sobre o assunto.
Ela apoiou o queixo com uma mão e virou o rosto entediada para olhar para Beatriz Nogueira atrás da mesa.
— As relações públicas foram bem rápidas — analisou Júlia Paiva em voz baixa. — Helena Nogueira claramente está com pressa de conseguir o status oficial, mas o alto escalão da família Valente não parece disposto a ceder facilmente.
Beatriz Nogueira levantou a mão levemente para ajeitar o cabelo solto e manteve os olhos nos dados do Projeto Vanguarda na tela do computador. Sua voz estava calma.
— É só porque ainda não é o momento certo.
Arthur Valente ainda estava preparando o terreno para Helena Nogueira passo a passo. Ela precisava de uma cerimônia de entrada oficial e bem-vista, então, naturalmente, ele não permitiria que ela tivesse nenhuma mancha pública agora.
Além disso, o divórcio dos dois não havia sido divulgado amplamente.
Beatriz Nogueira via isso com clareza. Não disse mais nada e voltou a se concentrar em seu trabalho de pesquisa.
Júlia Paiva percebeu que ela não estava com vontade de conversar, guardou o celular e parou de falar sobre aquela situação.
Quando chegou o fim do expediente à noite, Beatriz Nogueira arrumou seus documentos e saiu da empresa de carro. Ela evitou o trânsito da hora do rush e foi direto para casa.
Do outro lado, o carro preto de Arthur Valente entrava devagar na mansão.
Hoje ele tinha terminado o trabalho mais cedo de propósito para voltar ao Solar dos Valente e cumprir seu compromisso.
O carro parou. Arthur Valente abriu a porta e desceu. O terno escuro feito sob medida realçava a sua figura elegante e fria.
Não muito longe dali, Hugo Valente já tinha sido buscado e levado para casa.
Ao ver Arthur Valente se aproximar: — Irmão.
— Sim. — Arthur Valente respondeu e passou os olhos por ele calmamente. — Entra no carro, vamos jantar no Solar.
Hugo Valente abriu a porta, sentou-se no banco do passageiro e perguntou por acaso: — A cunhada Helena Nogueira vai também?
Arthur Valente ligou o carro, olhando para frente: — Ela tem trabalho a fazer.
A expressão de Arthur Valente estava leve. Ele a olhou e respondeu com outra pergunta num tom calmo: — Com a situação atual, seria apropriado ela aparecer num jantar de família no Solar?
Dona Luísa Valente ficou surpresa e depois balançou a cabeça com desdém: — O que tem de inapropriado nisso?
— É super normal um amigo vir comer em casa.
Ela deu dois passos à frente, com um tom um tanto teimoso: — Além do mais, ela deveria mesmo entrar para a nossa família. Qual é o problema?
— Não me diga que você está sendo influenciado por essas fofocas lá fora e tentando manter distância dela de propósito?
Arthur Valente ficou olhando para ela em silêncio. Não respondeu logo e suas emoções no rosto eram impossíveis de decifrar.
Dona Luísa Valente continuou atrás dele e entrou na casa, com um tom de insatisfação.
— Arthur, não há nada de errado entre você e a Helena Nogueira. Por que se afastar de uma amizade de anos por causa de algumas notícias sem importância?

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