Agora, o novo projeto de pesquisa dela mal havia começado. O grande fundo acabou de ser injetado, mas, antes de dar a largada, já começaram as perdas e furos.
O buraco gigante da rodada anterior ainda não tinha sido tapado, e um novo logo em seguida apareceu.
— Srta. Nogueira, está tudo bem?
Uma pessoa notou o rosto pálido dela e perguntou: — Continue falando do projeto novo.
— A Seraphina Biotech tem muita força agora, nós acreditamos no crescimento dessa corrida.
Dona Regina se apressou e segurou a filha, lembrando-a em voz baixa: — Se acalme. Onde você acha que está? Não pode perder o controle, seja o que for.
Helena fechou as mãos, que já estavam brancas, tentando ao máximo segurar o desespero.
Ela respondeu para as pessoas, forçando a voz: — O projeto ainda está na parte preparatória. Nem todos os detalhes foram finalizados. Vou avisá-los depois que o financiamento e as parcerias começarem.
O grupo ficou surpreso. Há pouco estava animada procurando parcerias, e num segundo o tom mudou. Mas como ninguém queria insistir muito, deixaram o assunto para lá.
— Que situação foi essa? — Nicolas perguntou com a testa franzida.
— Foi só um problema pequeno.
Helena balançou a cabeça.
A notícia de dois problemas seguidos não podia sair dali. A empresa não tinha condições de aguentar mais um baque, e precisava resolver a falta de fundos para conectar novos parceiros logo.
Arthur olhou para ela. A sua voz era normal: — Se tiver dificuldades, diga.
Helena mordeu o lábio de baixo, e o coração se acalmou.
Ter a palavra de Arthur era o mesmo que ter alguém cuidando do problema.
Ele não mediu esforços e colocou um bom dinheiro para fundar a empresa com ela, ela não podia ser uma inútil e ser motivo de piada.
Beatriz, não muito longe, olhou a cena, tranquila, sem dizer nada.
Quando os olhares se encontraram, a raiva e o ressentimento de Helena não foram disfarçados.
Dona Regina deu um passo e virou o rosto para que vissem a metade ainda inchada: — Eu vivi metade da minha vida e nunca tinha levado um tapa na cara em público.
— Eu não quis ir atrás, estava ocupada vindo para cá. Como nós nos encontramos, isso tem que acabar hoje.
— Pensei que pudesse cuidar de você como uma filha de verdade, mas você acabou nisso.
Guilherme apertou as sobrancelhas e olhou para Beatriz: — Elas bateram em você?
— Foi uma pequena confusão, só isso.
Beatriz tranquilizou-o. Sabia que as duas queriam apenas usá-la no simpósio para passá-la para trás na frente de todos.
Dezenas de olhares focaram nela, querendo confusão e com julgamento.
Com qualquer um, estaria de mãos atadas, mas Beatriz mantinha a postura, como se quem falavam não fosse ela.
Ela pegou o telefone, discou e falou: — Estou no simpósio, podem vir.

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