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A Esposa que "Morreu": O Despertar da Obsessão romance Capítulo 314

— Está com febre? — Ele disse com a voz grossa, enquanto os dedos se apertavam levemente. — O seu abdômen está doendo?

Beatriz levantou os olhos para encará-lo.

Muito provavelmente, ele estava atuando na frente da avó para ela ver.

Arthur esticou o braço longo e, sem esperar Beatriz se firmar, a pegou no colo.

O seu abraço continuava largo, mas a força era fria e dura. Não havia pena alguma, apenas uma superficialidade burocrática.

O corpo de Beatriz amoleceu, e a dor em seu abdômen esmagava suas entranhas em ondas.

Caminhando pela escada de madeira, os passos soavam abafados.

Assim que entrou no quarto, ele a soltou sem hesitar e a colocou na cama macia. O movimento foi rápido e limpo, mas acompanhado de impaciência.

Ele não tinha a menor vontade de fingir por mais um segundo.

Beatriz apoiou-se para sentar com dificuldade, suando frio de dor, com o rosto tão branco quanto uma folha de papel.

Ela ergueu os olhos para o homem à sua frente, e sua voz saiu baixa e rouca: — Arthur, já terminou o show. Pode ir.

Ficar um segundo a mais com ele a enojava.

Agora ela não tinha nem energia para discutir com ele.

— Que show? — Arthur abaixou os olhos para ela. Não havia nenhum calor neles, e sua voz soou fria. — Beatriz, pare com esses seus truques para chamar a atenção.

Ele olhava de cima, como se estivesse examinando um estranho irracional.

Beatriz franziu a testa e levantou a cabeça incrédula.

A voz do homem permanecia indiferente, como se não pudesse ver o quão pálida ela estava: — A sua saúde sempre foi boa. Não finja estar doente para se fazer de coitada. Tentar chamar a minha atenção dessa forma é muito baixo.

Beatriz respirou fundo.

Até sua respiração trazia uma dor surda, e naquele momento, ela achava tudo um absurdo.

Ela não havia pedido para ser carregada até lá em cima.

Depois dessa frase, o ambiente ficou sutil e ambíguo.

Helena apertou os lábios e abaixou os olhos sem dizer nada. Aquela aparência tímida e ofendida, assumida como um consentimento silencioso, atraiu a pena de todos.

Arthur falou com indiferença: — Mãe, não fique adivinhando coisas.

A frase leve não confirmou nem negou, deixando ainda mais espaço para a imaginação.

Somente a velha senhora se importava com Beatriz lá em cima.

Com o coração cheio de preocupação, ela olhava para a escada de tempos em tempos e instruía a empregada ao lado: — A canja está pronta? Leve lá para cima rápido. A Beatriz não está bem. Deixe ela tomar algo para se aquecer.

A empregada respondeu e, assim que pegou a canja quente para subir as escadas, a velha senhora gritou de propósito: — Beatriz, desça logo para tomar a sopa e melhorar.

Beatriz estava encolhida na cama. A dor em seu abdômen era indescritível e seu corpo oscilava entre frio e calor. Ao ouvir essas palavras, ela se comoveu.

Ela realmente estava com muita dor. Uma sopa quente talvez aliviasse aquela dor excruciante.

Mas assim que ela fez esforço para se levantar, a voz frágil de Helena veio do andar de baixo, acompanhada por pequenos soluços: — Senhora, eu peguei um resfriado de repente. O meu estômago não está bem e estou com calafrios...

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