De volta ao apartamento onde morava sozinha.
Assim que Beatriz chegou à porta, viu um bolo em uma caixa de presente delicada, com um cartão de felicitações ao lado.
A caligrafia era limpa e elegante:
Beatriz, feliz aniversário.
Desejo-lhe um futuro brilhante e que tudo corra bem.
Sem assinatura e de origem desconhecida.
Beatriz pegou o celular e perguntou aos amigos um por um, mas ninguém admitiu ter preparado aquilo.
Ela abaixou os olhos e pensou por um momento, antes de levar o bolo para dentro.
O bolo era do seu sabor favorito. No entanto, ela já tinha comido sobremesa na festa daquela noite. Seria impossível comer o bolo todo sozinha, e ele estragaria se ficasse para o dia seguinte.
Como ainda era cedo, ela cortou o bolo, distribuiu para os vizinhos e provou apenas um pequeno pedaço.
-
Na manhã seguinte, Beatriz foi acordada por um telefonema.
Era de Arthur.
— Acordou? — No telefone, a voz do homem estava grave e rouca, com a preguiça de quem acabou de despertar.
Beatriz esfregou os olhos sonolentos e olhou as horas. Eram apenas seis da manhã.
Ela se sentou, arrumou os cabelos soltos e perguntou friamente: — O que foi?
— Se arrume. Vou buscá-la para passar a Festa da Reunião Familiar no Solar dos Valente.
— Não precisa. — Beatriz recusou de imediato. — Eu dirijo até lá mais tarde.
Ela não queria mais compartilhar o mesmo carro que ele, mantendo uma proximidade forçada que só geraria fofocas.
Arthur não insistiu e concordou em silêncio.
Beatriz se lavou, tomou café da manhã e dirigiu sozinha para o Solar dos Valente.
Assim que entrou, a avó Valente olhou ao redor e perguntou em voz baixa: — Arthur não veio com você?
Beatriz parou por um segundo.
Arthur ligou de manhã cedo para apressá-la, mas ele mesmo estava atrasado.
Ela inventou uma desculpa qualquer: — Houve uma emergência na empresa e ele foi resolver primeiro.
— Não é nada.
Beatriz respirou fundo.
Reprimindo a dor surda que vinha do abdômen, ela abaixou os olhos e respondeu de forma indiferente: — Talvez eu não tenha descansado bem.
A velha senhora não perguntou mais nada e sorriu ao chamar os criados para continuarem preparando os ingredientes do feriado.
Beatriz sentou-se sozinha em uma cadeira de balanço sob a sombra de uma árvore no pátio. Sua cabeça estava pesada e o corpo sem forças.
Uma dor surda e intermitente irradiava de seu abdômen, causando um desconforto doloroso na região lombar.
Ela não ia ao hospital fazer exames de rotina há muito tempo e a doença no seu corpo continuava agindo em segredo. Somado às noites mal dormidas correndo com o projeto e à tensão do estresse, a dor atacou hoje.
Isabella Valente, a irmã de Arthur, retornou ao Solar naquele momento. Assim que viu Beatriz sentada sozinha, falou com aspereza: — Todo mundo está trabalhando duro para embrulhar os bolinhos recheados e só você está aí sentada relaxando. Gosta mesmo de se fazer de importante.
Beatriz, que já estava com uma dor de cabeça insuportável, levantou lentamente os olhos para encará-la, sem dizer uma palavra.
A avó ouviu, virou a cabeça e imediatamente fechou a cara: — Tem algum dia que você não bate de frente com a Beatriz? Venha ajudar com o trabalho.
Ela lançou um olhar furioso para Beatriz e se afastou contrariada.
A velha senhora voltou-se para Beatriz: — Já são quase onze horas. Ligue para o Arthur e pergunte onde ele está e quando volta.

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