Lidar com alguém tão transparente e que sabe ler as pessoas acaba gerando um certo desconforto.
Como se todas as emoções e pensamentos fossem expostos de relance, sem nada para esconder.
Guilherme ajustou o xale nos ombros de Beatriz com cuidado, e o calor envolveu lentamente seu corpo que antes sentia frio.
Beatriz agradeceu baixinho a ele. Aquela cena não escapou dos olhos de Bruno.
Ele franziu a testa sem demonstrar muita reação, compreendendo parte da situação no mesmo instante.
Antes, ele havia oferecido uma proposta de colaboração, mostrando bastante sinceridade para trabalharem juntos, mas a Seraphina Biotech recusou de forma educada. Na época, ele ficou confuso com isso.
Agora ele finalmente entendia. Eles já tinham encontrado um parceiro muito mais seguro.
Ao conseguir o apoio de Guilherme, eles obviamente não precisariam mais lidar com a família de Bruno. Tudo fazia sentido.
Beatriz, de fato, tinha seus talentos.
Primeiro manipulou um casamento com Arthur, e depois se aproximou de Gabriel.
— O que você está olhando?
Nicolas se aproximou nesse momento e, seguindo o olhar de Bruno, viu a mesma cena, logo exibindo uma expressão de zombaria.
— Não é à toa que o Sr. Drummond sempre a favorece. No fundo, todo homem é igual.
O tom de Nicolas era de desprezo: — Agora eu entendo. É só mais alguém que se deixou levar pela aparência. A beleza cega a razão.
Ele pensou consigo mesmo: as pessoas sempre dizem que a aparência não importa, mas Beatriz usou sua beleza para entrar passo a passo em círculos que antes pareciam inalcançáveis.
Até Gabriel, que sempre agia de maneira calma, a defendia incondicionalmente, e agora até Guilherme a tratava com atenção especial.
A maioria das pessoas ali quase nunca fazia negócios com Guilherme. Apenas ouviam rumores e não tinham muito contato direto.
Para eles, mesmo alguém famoso por sua inteligência e sobriedade, no fim das contas, não escaparia dos desejos mundanos e cederia diante de uma mulher bonita.
Assim que Helena apareceu, a única coisa que Beatriz pôde fazer foi sair de cena. No final, ela acabou sem nada.
Ao ouvir os agradecimentos de Beatriz, Guilherme abriu um sorriso gentil.
— Nós já nos conhecemos há tanto tempo. Não precisa ser tão formal.
Ele olhou para ela com suavidade e perguntou em tom ameno: — Na minha frente, parece que você sempre fica um pouco tensa, não é?
Com sua mente afiada, ele já tinha percebido que Beatriz parecia calma, mas na verdade tentava manter distância e evitar intimidade o tempo todo.
No passado, ela passava a maior parte do tempo lidando com assuntos domésticos, tendo pouco contato com outros homens de fora. Com o tempo, ela acabou não sabendo muito bem qual limite manter.
Beatriz sorriu de leve e respondeu com naturalidade: — Não é isso. O Sr. Drummond é educado e muito fácil de lidar.
Guilherme desviou o olhar com tranquilidade e não continuou com a conversa.

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