Ao verem Beatriz e Gabriel entrarem, todos mantiveram expressões calmas, já acostumados.
Aos olhos de muitos, independentemente da verdadeira capacidade de Beatriz, com o forte apoio de Gabriel, sua presença constante na posição central era compreensível.
Nicolas, no entanto, estava cheio de desdém, achando que Beatriz era muito cara de pau por nunca faltar a um jantar.
Depois de muito tempo na indústria, até um pedaço de madeira aprenderia algo só de observar.
Ele também tinha ouvido dizer que Beatriz estava preparando um artigo acadêmico e estudando para a pós-graduação, e achou isso ridículo.
Uma pessoa que ficou presa em casa por anos ousava sonhar com uma carreira acadêmica e de pesquisa científica?
— Srta. Nogueira, como está a preparação do artigo? Ocupada com os estudos e ainda tem tempo livre para jantares de negócios?
Nicolas segurava a xícara de chá com um sorriso irônico, sem esconder a provocação na voz.
Beatriz manteve uma expressão neutra e o tom calmo: — Em ambiente de trabalho, não discuto assuntos pessoais.
Uma recusa direta, sem dar qualquer margem.
A atmosfera na sala privada ficou instantaneamente tensa.
— Vamos comer primeiro, depois falamos de trabalho. — Arthur falou lentamente, quebrando o gelo.
Os pratos já estavam na mesa, a maioria com sabores leves, além de várias opções medicinais para nutrir o corpo.
Nicolas olhou para Helena e brincou: — O Arthur se preocupa demais com você. Viu que sua saúde está fraca ultimamente e pediu todos esses pratos nutritivos.
— Todos nós vemos como o Sr. Valente se importa com a Diretora Nogueira. — Um dos engenheiros ao lado concordou.
Helena sorriu levemente e baixou os olhos, sem disfarçar a doçura e o orgulho no olhar.
Nicolas levantou a mão: — Não precisam fazer cerimônia, o cardápio está ali, fiquem à vontade para pedir mais o que quiserem.
Beatriz, com a carga de trabalho intensa dos últimos dias, já estava sem apetite e mal tocou nos talheres.
— Não gostou da comida? Quer pedir alguns dos seus pratos favoritos? — Helena perguntou com uma gentileza fingida.
Nicolas riu no mesmo instante: — Por que se importar com ela? Talvez já tenha comido antes de sair, como iria se contentar com essa comida?
Antes que Gabriel pudesse falar, Beatriz respondeu com calma: — O clima tem estado quente ultimamente, é apenas falta de apetite. Não precisa de atenção especial.
No momento em que a porta se abriu completamente, um homem avançou do lado de fora, segurando um copo de água fervente. Com o rosto distorcido, gritou: — Sua mentirosa!
O copo de água fervente foi atirado diretamente contra o grupo.
Antes que Beatriz pudesse ver quem era, Helena, que estava à sua frente, ficou pálida e deu um grito, esquivando-se para trás dela.
Beatriz congelou. Só então reconheceu a pessoa: era o Sr. Maurício Meirelles, cuja parceria havia fracassado, causando perdas milionárias para a Lumina Inovação.
Devido a materiais falsificados e fraude contratual, a empresa dele faliu, e ele enfrentava a prisão.
Sem saída, ele jogou todo o seu ódio na pessoa que o arruinou e agora tinha vindo especialmente para se vingar.
O instinto de Beatriz lhe disse que aquela água fervente cairia diretamente no seu rosto.
No instante seguinte, um braço forte a puxou com força para um abraço.
Seu nariz bateu na roupa da pessoa, e ela sentiu um cheiro limpo e frio.
Beatriz congelou, e sua mente ficou em branco.

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