Beatriz Nogueira segurou o celular, sentindo apenas uma dor de cabeça.
Mas a avó sempre foi assim. Ficava com pena do trabalho sob alta pressão dela durante o ano todo. Sempre que ela não tinha tempo de voltar à velha mansão, a avó mandava alguém entregar caldos e suplementos.
O problema é que os dois agora estavam divorciados. Mandar coisas para a casa do casal com tanta frequência era muito constrangedor e inconveniente.
Ela não recusou diretamente, respondendo em voz baixa: — Tá bom, entendi.
Se recusasse com firmeza, a idosa com certeza começaria a reclamar e fazer perguntas sem parar.
O pior que podia acontecer era deixar Arthur Valente se livrar disso sozinho depois.
Ela acreditava que ele também não queria que ela aparecesse na casa deles para incomodar.
— Sim. — A avó usou um tom gentil. — Não se esforce tanto no trabalho. Estou no hospital visitando o Arthur agora, quer falar com ele um pouquinho?
A idosa continuava entusiasmada em juntar os dois, não dando a mínima importância ao divórcio.
Antes ela ainda colaborava, mas agora as coisas já não eram mais as mesmas.
Beatriz Nogueira ficou em silêncio por um instante e falou baixo: — Vó, estou no meio de uma reunião aqui, não consigo mesmo sair...
— Ah, entendi...
A avó não insistiu muito, recomendou que ela cuidasse da saúde por mais algumas frases e desligou o telefone.
Dentro do quarto de hospital.
Depois de desligar o telefone, a avó olhou para trás, para Arthur Valente recostado na cama.
A expressão dele era calma, ele encarava a tela do computador concentrado em resolver seu trabalho.
A avó perguntou: — Fiquei sabendo que você saiu do hospital por conta própria e voltou para casa ontem à noite? Não está descansando direito enquanto está internado, foi correndo para lá fazer o quê?
— Fui buscar umas trocas de roupas limpas e, de quebra, ver o Hugo Valente.
— Por que a Beatriz não veio te ver no hospital? Nem te trouxe roupas limpas?
— Lembre-se de avisar a Beatriz para tomar o caldo no horário. Não a deixe acabar com a saúde pelo trabalho. Por que ela tem se esforçado tanto ultimamente?
Os dedos de Arthur Valente hesitaram por um momento e ele falou devagar: — Se ela gosta, eu vou apoiar com todas as forças.
Depois de desligar o telefone, Beatriz Nogueira foi até o refeitório do instituto de pesquisa para comer.
Ela não deu importância a esse detalhe.
O Dr. Vicente Camargo a olhou e começou com gentileza: — Você se ajustou bem ultimamente. Como está o andamento da sua tese?
— Ainda falta bastante. — Beatriz Nogueira respondeu sinceramente. — O projeto aqui tem muita coisa, acabou me atrasando.
A saúde dela já não estava boa e ainda tinha que arrumar tempo para fazer companhia a Valentina Souza. Trabalhar sem parar por tanto tempo já a deixava sobrecarregada.
Muitas vezes, ficava acordada até de madrugada, pegando no sono sem perceber na frente do computador. Quando acordava, já estava amanhecendo.
— Ouvi dizer que a disputa aberta pelos principais projetos nacionais vai começar logo? — perguntou o Dr. Vicente Camargo casualmente. — Como está o refinamento do plano do projeto? Quando eu tiver tempo, ajudo você a dar uma olhada e repassar tudo.

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